domingo, 28 de dezembro de 2008

5º dia - 26/12/08 - Diário do piloto

Pessoal, finalmente consegui tempo e um local para colocar em dia o relato do 5º dia da viagem. Peço desculpas pelo atraso. Sei que é chato acessar o blog e nao ver novidades. Devo três dias de relato e temos muito coisa para contar. Vamos lá entao: Já estamos em Rio Gallegos, última cidade antes de Ushuaia, nosso objetivo. O pior parece que ainda estar por vir antes deste objetivo, pois teremos que enfrentar mais ou menos 100 km de rípio, de um total de 600 km até Ushuaia. Rípio para quem nao sabe é a estrada de chao do interior da Argentina, principalmente da regiao Patagônica, porém é formada por um Cascalho redondo e altamente escorregadio = para mim e para maioria dos motociclistas é um terror. Já pegamos rípio (no relato do 6º dia eu conto como foi). Bom mas vamos ao relato do quinto dia da viagem. Saímos do Balneário Las Grutas, cedinho, após tomarmos um café da manha em uma confeitaria (aqui nao é comum o pao como café mas sim crossaint e outros doces, recheados com doce de leite, doce de baunilha ou goiabada). Precisaríamos fazer a revisao da Catarina (dos 3.00 km) e a mecânica autorizada Honda ficava em Trelew. Marcamos por telefone ainda em Las Grutas a revisao e nos mandamos para Trelew. Ocorre que aqui na Argentina existe a tal da ciesta, potanto todo o comércio fecha as 12:30 e reabre pelas 15:30 ou 16:00, funcionando entao até 20:00 hs ou mais, pois nesta regiao o sol se poe pela 21:00 horas (os dias sao mais longos). Chegamos em Trelew, almoçamos, após aproveitei e consegui atualizar o 4º dia da viagem e levamos a Catarina na revisao. Embora concessionária Honda, nao espere muita coisa nao. Enfim, o básico foi feito (até regulagem de uma das válvulas deu para fazer). Neste meio tempo, entre 15:30 e 19:30 horas (tempo destinado para revisao) o que fazer? Caminhamos umas dez quadras com as roupas de cordura e segunda pele abaixo de um calor de mais de 35 Cº (lembrem, estamos em uma regiao desértica, onde o calor nesta época é considerável, porém há um vento para amenizar) até a secretaria do turismo que possui um serviço de informacoes. Lá buscamos informaçoes sobre pacotes para Península Valdez, Punta Tombo e valores de hotéis. Também lá nos informaram sobre um Museu Paleontológico (já havia lido sobre ele) com uma colecao significativa de fósseis pré-históricos. Fomos visitá-lo. Valeu a pena. Transformamos uma tarde que poderia ser desperdiçada, em um agradável passeio. Realmente merecem parabêns os responsáveis pelo museu. Lá encontramos uma bela colecao de fósseis de dinossauros que habitaram a Patagônia e regiao, inclusive alguns encontrados no RGS. Fiquei muito impressionado com o que vi. Fiz um exercíco de imaginar como seriam estes gigantes, e como nós nos portaríamos frente a eles. Fabuloso. Na entrada das salas de exibiçoes há um fóssil (provavelmente um fêmur de um gigante dinossauro) que podemos tocar. A placa diz o seguinte: Você está tocando em um objeto que possui 130 milhoes de anos. Que loucura!!! Parem para pensar: a 130 milhoes de anos uma criatura, nasceu, viveu, morreu e de alguma forma seus ossos foram conservados, e 130 milhoes, repito, milhoes, de anos depois foi localizada e hoje é tocada por mim, pela Adelaide e poderá ser tocada por você: loucura. Parece bobagem, mas refletir sobre isto foi uma viagem. Terminada o agradável e instrutivo passeio, pegamos a Catarina, zerada novamente (até banho tomou) e rumamos novamente para Puerto Madry, pois a intencao no dia seguinte era a de irmos visitar a Península Valdez. Chegando em Puerto Madry, colocamos em prática nosso já conhecido itinerário: a busca da opçao mais em conta de hospedagem (levando em conta alguns pré-requisitos, entre eles o de possuir garagem e também, é claro, analisando a relaçao custo benefício). Nesta procura uma trapalhada deste motociclista inexperiente. Apesar do vexame vou contar: Ao sair de um dos hotéis que pesquisávamos bati o arranque na moto e nada, nao ligava. Puxa Vida, era só o que faltava. Escuro já, sem pouso e nos confins da Argentina. O que fazer ? Será que era gasolina? Está certo que a reserva foi consumida, mas a impressao que tinha era a de que ainda tinha gasolina para um bom pedaço de chao? Bom, fui atrás de gasolina no posto mais próximo. Mas o pensamento também estava na revisao. Será que o mecânico nao fizera nenhuma bobagem? Abastecido o tanque bati o arranque novamente e nada. PQP #@#~€@@ (impublicável). Até que a Adelaide resolve perguntar se o botao corta corrente nao estava apertado. Eu evidentemente , irritado que estava disse para ela que nao, hora. Básico. Porque o corta corrente estaria desligado? eu nao o desligara. Via das dúvidas apertei o botao. E Bati o arranque novamente. Nao é que deu certo. Sob os risos de alguns argentinos que nos observavam, principalente em funcao do olhar de fuzilamento da Adelaide resolvemos o problema. Nao adianta agora desculpas, mas a verdade que aquele famigerado botao estava meio apertado. Bom meio apertado é o mesmo que quase, e quase nao é nada. Ficou como mais uma história para no futuro darmos boas gargalhadas. Resolvido o problema e recuperado do vexame encontramos um hostel mais ou menos em conta. Bom, agora respondo ao Joao Serra sobre a questao preços na Argentina: Meu amigo, estou achando as coisas caras: está mais caro que o orçamento que planejamos. O negócio é chegar cedo nas cidades e pesquisar. A chorada também vale. A alimentaçao é absurdamente cara (na minha opiniao). A sugestao é pedir um Milanesa com papas, por exemplo (Dá para dois). Outra sugestao é comprar frutas, biscoitos em algum super-mercado e no decorrer da viagem ir parando e os lanchando. Em Comodoro Rivadávia é complicado. Se puderes vá adiante em Caleta Olivia, mas procure. E também o nível de exigência deve diminuir e a tolerância aumentar. Para que tenhas idéia: Segundo dia em Canuelas $ 80,00 (chorado $ 10,00 de desconto). Terceiro dia em Bahia Blanca $ 150,00 (Nesta cidade olhamos todos os hotéis). Terceiro dia em Las Grutas demos a sorte de um dono do hotel perceber que estavamos em busca do bom e barato e seu hotel estava fora dos padroes, acabou nos oferecendo um quarto ao lado de sua casa: o preço $ 100,00 (fora isso o mais barato era por $ 150,00). No quarto dia em Madry $ 100,00 (A Adelaide consegui $ 30,00 de desconto, do contrário pagaríamos $ 130,00). No quinto dia em Comodoro, um absurdo: o mais barato $ 225,00. Aqui em Galegos, conseguimos uma boa opçao por $ 150,00. Alimentaçao: Se fizeres como falei: uma milaneza com papas para dois gastarás $ 30,00. Cuidado com o café: caríssimo: uma xicará $ 6,00. OK Serra, o que mais puder auxiliar, manda ver que tento responder. Bom pessoal. de Ushuai atualizarei o 6º, 7º e 8º dia = nao deixem de acompanhar. Até mais.

2 comentários:

  1. Oi Piloto e Garupa!!! Vou contar uma coisa pra vocês... O seu Arlindo se inspirou nessa odisséia e dirigiu sózinho 1800 km em 2 dias até Goiânia...Esse velho aguenta bem...(risos)...
    Estamos visitando o Juliano e a Sandra, vamos passar o final de ano por aqui...
    bjus.Neiva

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  2. Roberto e Adriana29 dezembro, 2008 20:39

    Otimas fotos, sigam em frente e fiquem preparados para a emoção nos Kms finais para chegar ao Fin del Mundo....
    Grande abraço
    Roberto e Adriana

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