domingo, 20 de setembro de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Fotos do 22º, 23º, 24º e 25º dia de viagem - O retorno
sábado, 17 de janeiro de 2009
25° e último dia da viagem - 15/01/09 - Diário do Piloto = Chegamos em Casa
Chegávamos pela BR 290 em Minas do Leão, logo em seguida, Minas do Butiá, mais a frente Arroio dos Ratos. Conhecia bem esta estrada em função de várias viagens que fizera a Bagé, quando lá trabalhei, e sabia que dali a 15 km chegaríamos à praça de pedágio e após atravessarmos a cancela se descortinaria sob os nossos olhos a bela e amada Porto Alegre iluminada, visão e sensação ímpar, que não têm preço e que sempre me enchia de emoção. Mesmo na época que trabalhava em Bagé e mantinha casa em Nova Petrópolis e por conseqüência, deste ponto, até Nova Petrópolis precisaria ainda rodar mais 150 km dos 470 km da distância total do percurso, chegar aqui e atravessar a cancela do pedágio me fazia me sentir em casa. Estávamos já rodando a mais de 18 horas, já era 1:00 da madrugada do dia 15, ou seja, já adentrávamos o 25° dia da Viagem ao Fim do Mundo, e faltava pouco mais de 40 km para nosso apartamento na Zona Sul, pertinho do maravilhoso Guaíba. Desde que havíamos entrado no Uruguai, deixando para trás a Argentina, a polícia camineira e começado o trecho bucólico, simpático e deserto que separava Paysandú de Riveira, eu era tomado por uma forte emoção que me fazia rememorar não só a viagem, mas também todos os meses anteriores de preparação, planejamento, sonho, engajamento, mas de tudo o pensamento que mais me comovia, me fazendo chorar, era o quanto a Adelaide foi uma forte corajosa companheira. Ainda agora ao escrever este derradeiro e último diário, este sentimento ressurge, fazendo com que os olhos fiquem marejados. Preciso me segurar para que as lágrimas não venham. Lembrar que sempre, enfrentando ou não adversidades, o jeito de ser de minha companheira fazia com ela não se intimidasse ou se abalasse com nada. Frágil, mas forte. Calma, mas firme. Mesmo na roupa de cordura e com capacetes que nos fazia parecer astronautas ela não conseguia deixar de esconder a sua meiguice. Pensava o quanto ela foi verdadeiramente parceira e peça chave para o sucesso da empreitada. Metódica, organizada, mas fundamentalmente zelosa, carinhosa por tudo que levávamos, equipamentos, roupas, utensílios (este é o jeito da Adelaide = empoeirados, sujos, suados, ou não, ela sempre fazendo questão de manter tudo em ordem, acionando em mim a implicância de lembrá-la que estávamos em uma viagem e que podemos negligenciar algumas coisas. Qual o problema de andarmos vários dias com as roupas sujas e suadas? Não para a Adelaide, tudo deveria estar sempre organizado, e portanto fazia o possível para que isto ocorresse. É seu jeito...). Sua dedicação anterior, assumindo de cabeça e alma a função de desenhar o roteiro e pesquisar os pontos que conheceríamos fez dela a melhor de todas as navegadoras, o que em muitas situações me surpreendeu, pois parecia que ela já havia estado naqueles locais. O mapa que nos guiou, cuidadosamente colado folha a folha com adesivo e minuciosamente estudado quanto aos pontos de abastecimentos e locais de pouso foram fundamentais para a viagem. Ia lembrando de tudo isto, de seu amor e dedicação por tudo que faz e me emocionando, e mesmo pilotando buscava a mão dela, como que para demonstrar de forma silenciosa a minha gratidão por ela fazer parte de minha vida. Laços que se fortalecem ainda mais, companheirismo que cresce, sensações impagáveis que na verdade são manifestações das mudanças, mesmo imperceptíveis que uma aventura como esta causam no subconsciente e consciente de nossas mentes. Novamente, naquela madrugada, com as luzes da nossa cidade se apresentado, estas reflexões voltaram com força. Parece que partimos ontem? Tentava ainda me lembrar de nosso sentimento, de nossos temores antes da partida, o quanto iniciaríamos uma jornada diferenciada, não convencional e agora, após quase 13.000 km, 3 países visitados, 25 dias de viagem e termos alcançado o Fim do Mundo, termos caído e novamente levantado, concluíamos que tudo foi muito simples, e vários dos temores realmente eram frutos de nossa imaginação. As possibilidades estão ao nosso lado, basta partir. Meu maior temor antes da viagem era o de não partir, o de desistir. Felizmente os anos e a bagagem e experiência de vida vão acrescentando a nossa personalidade convicções e persistência para não desistir. Estávamos em casa, estávamos na querida Porto Alegre, logo estaríamos na Zona Sul em nosso amado apartamento. Levantava o braço esquerdo com os punhos cerrados socando o ar como forma de comemoração de uma viagem, iniciada e concluída. Chegar neste ponto me emocionou tanto ou mais que a chegada a Ushuaia. Havíamos completado o percurso e estávamos de volta, felizes e com a mais absoluta saúde. Uma prece a Deus ainda na moto por tudo que ele tinha feito e proporcionado, mas principalmente pela maravilha que é este mundo que ele criou. Chegávamos à Avenida Beira Rio, bela e agora toda iluminada, logo estávamos entrando na Diário de Notícias, e a visão do novo shooping iluminado me fez lembrar do cinema que ainda neste final de semana curtiríamos. A ciclovia me lembrou que logo estaríamos novamente fazendo nossas caminhadas e corridas. Que sensação gostosa é esta de chegar. Apontamos e lá estavam a Wenceslau e logo nossos apartamentos. Embicamos a moto no portão de entrada, o vigilante, Seu Luis (o mesmo que tirou a nossa foto quando partimos), o abriu manualmente. Estacionei a moto, saltamos da moto e cumprimentamos o seu Luis. Perguntei a ele: - lembra que há 25 dias atrás o senhor tirou uma foto? - Lembro, respondeu. - Pois é, agora o Senhor vai tirar outra foto, porém naquele dia a moto tinha 246 km, hoje ela está com 13.000 km. Tiramos a foto e olhei para Adelaide e disse: - Obrigado por tudo, lhe abraçando, e ela também agradecendo. A emoção veio forte, e pudores de uma educação machista, me fizeram desviar o olhar e imediatamente iniciar a desmontagem dos equipamentos. Antes de irmos para o apartamento, como muitas vezes fizera nesta viagem, abraçado a Adelaide com o braço estendido segurando a máquina fotográfica, tiramos a foto de número 3.632, à última da Viagem ao Fim do Mundo. Esta aventura terminara, estávamos em casa, cumprimos com os nossos objetivos, conhecemos locais maravilhosas, experimentamos o vento patagônico, caímos e nos erguemos, nos cobrimos de pó, sacolejamos nas costeletas das estradas ripiadas, comemos e dormimos mal, mas todos foram ingredientes que fizeram desta aventura um feito único, absoluta e plenamente curtido por nós dois, Álvaro e Adelaide, e ficará para sempre gravado em nossas lembranças.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Fotos do 15°, 16° e 17° dia da Viagem - Glaciar Perito Moreno e o povoado de El Chalten
24° Dia - 14/01/09 - Diário do Piloto = Argentina, Uruguai, Brasil e no caminho a Policia Camineira
Acordamos, como nos propusemos, cedo, e já 7:00 horas da manhã estávamos na estrada. A intenção era chegarmos em Livramento, Brasil, ainda hoje. Teríamos que neste dia enfrentar o movimento e a confusão dos acessos das imediações de Buenos Aires, 3 aduanas e somente então estaríamos em Santana do Livramento. Já na altura de Lujan, embora elogiável a sinalização rodoviária da Argentina, principalmente se comparada com o Brasil, (No Brasil, péssimas, incluindo aí as rodovias pedagiádas. Neste sentido cresce minha convicção que estamos sendo lezados com estes preços acachapantes de pedágios, cujo retorno é mínimo. Afirmo com convicção, pois agora tenho a comparação), na altura que nos encontrávamos, estava deficinete, ou melhor, inexistente, o que trazia muitas dúvidas, em função dos entroncamentos e grandes rotatórias que levavam a Buenos Aires e também a outros destinos entre eles o nosso, ou seja, Zarate, cidade onde iniciaríamos a ruta 14, até Colón, por onde entramos na Argentina. Agora no sentido contrário (entraríamos no Uruguai em Paysandu), não via qualquer placa sinalizando cidades como a já mencionada Zarate, ou Campana. Segui meus insintos. O viajante também deve contar com ele, pois muitas vezes a lógica da localização espacial, nos faz acertar os caminhos (as mulheres têm mais dificuldade neste sentido, é claro que levam vantagens em relação ao homens na maioria de outros quesitos, mas definitivamente, localização espacial não era um deles). A Adelaide, por exemplo, por diversas vezes acertava e me alertava quanto aos caminhos corretos em entroncamentos, me salvando de pegar as rotas erradas, porém em algumas situações sua localização espacial era completamente incoerente com a lógica. Acertamos na intuição e pegamos o caminho correto, pois depois dos entroncamentos apareceram as placas. Já na ruta 14, na provincia de Entre Rios, voltou a a preocupação com a corrupta polícia camineira, cujo alvo preferido são justamente os moto-viajantes (lembrem que na vinda não a encontramos em função de um protesto que havia dos produtores rurais, fazendo a guarda nacional tomar conta das ruas. Neste dia esta tropa de safados se recolheu). Não precisamos andar muito para sermos parados pela primeira barreira de policiais. Novamente nos foi solicitado o seguro carta verde. Verificação feita pelo policial, OK, podem seguir. Na entrada de Gualeguaychú, resolvemos entra na cidade para nos informarmos se existia possibilidade de atravessarmos a fronteira ali, até Fray Bentos no Uruguai, onde nos livraríamos de Entre Rios. Foi embicar a moto no trevo de acesso e acessar a ruta que nos leva a cidade e mais uma vez barrados pela polícia camineira. Desta vez o policial pediu para verificar o farol. Queria ver o acionamento da luz alta. Ok, mostrei a ele e pediu que saísse da moto e o acompanhasse. Fui até o seu veículo e ele disse que eu teria que andar com as luzes do farol alta e estava comentendo com a luz normal uma infração. Aqui vai uma dica que aprendi lendo a experiência de outros motos viajantes. Levem consigo um código de trânsito Argentino. Claro que não estudei o código de trânsito argentino, a não ser o item que fala do extintor (mata-fuego), em outros tempos motivo para complicarem. Neste artigo está claro que as motociclestas estão dispensadas de seu uso. Não estava preparado para este desatino, exigir que andasse com luz alta. Com certeza se estivesse com a luz alta acionada, ele utilizaria o argumento contrário, que deveria andar com a luz normal e a alta era proibida. Na hora tasquei. - Mas no código de trâsito Argentino não consta esta exigência (Na verdade eu não sabia se constava ou não constava, mas arrisquei). Imediatamente pedi que a Adelaide trouxesse o código. Ele também sacou do código e mostrou grifado artigo 47, que falava na obrigatoriedade de andarsse com a luz que seja visivel por outros motoristas. Mostrei para ele que a luz normal da moto já era suficiente. logo acima no artigo anterior falava em luz alta, como exigência somente nas estradas do interior, portanto, era evidente que estava me aplicando. A verdade que ele não esperava que argumentasse mostrando que tinha o código de trânsito e com a convicção (ao menos aparente) que conhecia a lei. Ficou meio desoncertado, lendo o artigo e pensando em outra forma de tirar alguma propina destes brasileiros motoclistas. Acho que ficou nervoso. Tentou ainda uma última intimidada, dizendo que a infração chegará pelo correio. Argumetei novamente, que não havía infração alguma, e ele a cada argumento meu respondia imediatamente si, si, si. Já montados na moto, em forma codificada pediu se não havia nada gelado para tomar (queria algum dinheiro). Mostrei para ele a garafa de água mineral presa no bauleto e disse que só tínhamos aquela água e era pouca, suficiente somente para nós, liguei a moto e fomos embora, sob o olhar atonito do atrapalhado corrupto policial. Pior raça é esta dos corruptos. Eta racinha desnecessária neste mundo. Chegamos a Cólon, embora com grande movimento, os trâmites foram rápidos, facilidades, mais uma vez de quem está de moto e pode seguir em frente até o guiche da aduana. Atravessamos o Uruguai, só parando em Tacuarembó para abastecimento e finalmente o Brasil. Faltavam 500 km até Porto Alegre e já eram 18:30 hs. Abastecemos e comemos um picolé para comemorar o objetivo atingido. Estava claro ainda e a vontade era de continuar. Deixei a decisão nas mãos da Adelaide (por mim seguia, mas não queria forçar a barra). Ela decidiu que seguiríamos ante onde desse. Seguimos viagem e logo alcançamos Rosário. Falei para ela: agora só faltam 400 km. Depois de 12 mil e poucos quilometros, 500, 400, 300 km não é mais nada. E muitos insetos praticamente cobrindo a viseira. Parei em São Gabriel, em um Pit Stop rápido para limpá-la (a intenção era ser rápido em quanto o entardecer ainda possibilitava maior visibilidade, antes da escuridão). Passado São Gabriel e a noite nos alcançou definitivamente. Segui com prudência. Logo o trecho pedagiado, nos possibilitou, devido aos olhos de gato uma pilotagem mais segura. A noite estava agradável, e a lua cheia nos iluminava. Paramos em São Sepé para um Ala-minuta enorme (três enormes bifes, muita comida, dois ala-minutas por apenas R$ 17,00. Que diferença da Argentina, que com este valor mal comiamos um péssimo Sandwiche, exceção ao restaurante de Vila Angostura, que superou os preços do Brasil. Muito barato). Seguimos viagem. Nesta altura já havíamos superado a casa dos 1.000 km rodados. Não fosse o desconforto de já estarmos sentados na mesma posição a mais de 17 horas, o que fez com que nossas bundas ardessem em função de um inicio de assadura, a viagem teria sido ótima. Mesmo assim estava sendo boa. O 24° dia da viagem terminava e nós com a companhia da lua seguíamos carregados pela valente Catarina em direção ao lar.
Fotos do 20° e 21° dia da viagem = O Chile dos vulcões e das águas termais
23° Dia - 13/01/09 - Diário do Piloto = 902 km de G.Roca a pequena cidade de Alberti
Acordamos cedo, pois a diéia era tocar o máximo possível neste dia. Será que atravessaria a barreira dos 1.000 km? O roteiro original, construido pela navegadora Adelaide determinava que seguíssimos pela Ruta 22 até Colorado e de lá pegaríamos a ruta 154 e após 35 até General Acha e então a ruta 5 até antes de Buenos Aires, para contorná-la e chegar a Província de Entre Rios, que no dia seguinte nos levaria a fronteira com o Uruguai. Em Entre Rios encontraríamos o mesmo roteiro do começo da viagem. Porém visualizando o mapa vimos uma alternativa que pelos cálculos nos economizaria 100 km de estrada, porém não considerada no projeto da Adelaide pela falta de postos de combustíveis no caminho (ao menos era a informação do mapa), sendo que 400 km sem a perspectiva de posto de combustível. No dia anterior havíamos nos informado com a recepcionista do hotel e este nos garantiu que na localidade de Casa de Piedra, ao lado da barragem do Rio Colorado, a pouco tempo abriu uma estação de serviço (posto de combustível). Decisão tomada, iríamos por esta Ruta. Antes de sair abastecemos a moto e perguntamos ao frentista, para termos mais segurança e este afirmou com toda a convicção, que não havía até General Acha postos de combustíveis. E agora? Saímos do posto onde o placa estava 1 x 1 (1 para informação que sim havia e 1 para informação que não, não havía). Perguntamos para um taxista, que não sabia mais consultou sua central. Sim havia (2x1). Ainda não satisfeitos e já decididos a abastecer a bombona reserva, perguntamos ao frentista de outro posto. Este já deu outra informação. Em Casa de Piedra não têm, mas em Puelches tem. Naquela altura do campeonato já havia me arrependido de efetuar tantas enquetes que só nos atrapalharam. Abastecemos por via das dúvidas a bombona com 5 litros de gasolina e finalmente partimos. Me aborrece muito estes atrasos. Esta brincadeira inicial nos atrasou no mínimo 45 minutos, ou 1 hora. Seguimos viagem até, após 113 km, encontramos a grande barragem do Rio Colorado, cuja ruta passa justamente por cima da barragem (11 km de barragem). Ao lado a nova cidade com casas novas e padronizadas de Casa de Piedra e um belíssimo e novo posto de combustível (venceu o recepcionista do hotel e os mal informados frentistas precisam buscar maiores informções, pois estão muito desatualizados, puderá o posto foi somente inaugurado a recém 2 meses). Abastecidos, nós e a Catarina, pois o desayuno do hotel foi uma vergonha = Pão torrado e croissant velhos, horrível (terminando a viagem e eu ainda não me conformando com este fraco café dos hotéis, porém este superou até agora a todos os demais, vamos combinar). Seguimos e em Puelches mais um posto de combustível, com a gasolina cara, mas havía posto, isto é o que importava. Portanto, não precisávamos ter abastecido a bombona reserva e tampouco nos atrasado com o pedido de mais informações (mas faz parte, agora é fácil falar). A viagem seguiu com paradas a cada 100, 130 km, sempre para nos esticarmos e comermos um lanchinho. A intenção era chegar a Lujan. Na altura da cidade de 9 de Julio, logo após o abastecimento, o temporal que se avizinhava, logo a nossa frente é alcançado. Fiquei muito brabo, pois já terminando a viajem estávamos molhando toda a roupa, com a chuva forte, ruim para a logísitca, pois teríamos que acionar a operação varal. Atravessamos a chuva e acelerei, por dois motivos, já estava escurecendo e queria chegar em alguma cidade com luz do sol ainda e para secarmos a roupa com o vento. Deu certo, porém não alcaçamos Lujan, que estava ainda a uns 120 km de Alberti, interessante cidade, que não chama a atenção de ninguêm, de 11.000 habitantes, simpática e agradável, sem nenhum prédio de dois pisos e muito arborizada. Lá fomos guiados pelo delegado, que encontrei na sinaleira de acesso a cidade pedi informação. Se propôs a guiar-nos até o hotel. Ainda bem, pois teríamos dificuldade em função da característica da cidade (plana e arborizada, fazendo com que nos sentíssimos em um labirinto, pois tudo era igual), sem contar que estava escurecendo muito rápido. O primeiro hotel fechado, pois os donos estavam em férias e o segundo, "la petit", aberto. Lá fomos recebidos pela simpática propritária. Quarto bom, banho quente e preço justo. Era tudo que queríamos. De qualquer forma, não havia outra opção, pois era o único da cidade. A noite procuramos um restaurante e comemos uma pizza, atendidos por uma garçonete, que só sabia falar que não entendia nada do que falávamos. Deixei para a Adelaide a comunicação, pois eu já estava querendo agir da mesma forma " - Eu também não entendo nada do que tu fala". Com certeza má vontade dos habitantes próximos a Buenos Aires (em todo o restante da Argentina não tivemos este problema), ou, a mulher era mesmo ignorante, ou na pior das hipóteses, tinha problemas mentais (acho que esta última alternativa é a mais plausível). O importante que a pizza estava ótima. Amanhã a intenção é alcançar o Brasil, Santana do Livramento. Iniciaríamos o penúltimo dia da viagem.
P.S: Neste dia rodamos 902 km, portanto, ainda não havia sido neste dia que superaríamos a casa dos 1.000 km de pilotagem inipterruptas.
22° Dia - 12/01/09 - Diário do Piloto = É hora de voltar
Estávamos em um dilema: Ficar mais uma noite nas Termas de Manzanar ou iniciar o percurso de volta. Conversamos e concluimos, colaborado pelo espírito iriquieto dos viajantes, que já era hora de partir. Decidimos que aproveitaríamos até o meio dia o hotel, com direito ainda a um pequeno trekking, banho na piscina termal e um massageante banho final na Jacuzzi de hidro-massagem de nosso quarto. Almoçaríamos e seguiríamos viagem. O famoso túnel Las Raices estava a 30 km do hotel. Na época que o motociclista Chardô atravessou seus 4 km de extensão ele, diferente de hoje, não estava pavimentado, era todo elameado, com uma pista lisa, esburacada, escura e com pedras de rípio que o fizeram ter uma terrível queda. Agora estava pavimentado, e o túnel tão bem relatado no livro do Chardô, agora estava ali na nossa frente, onde aguardávamos o sinal abrir para que pudéssemos atravessá-lo, afinal de contas possuia somente uma mão, pois é um antigo túnel ferroviário. Tiramos fotos antes da abertura do sinal. Sinal abriu e seguimos os 4 km de extensão, com a Adelaide filmando toda a travessia. No seu interior um bom pavimento de concreto e muito frio, mas estávamos eufóricos por termos alcançado também este objetivo, atravessar o Las Raices, que se localiza um pouco antes do passo Pino Achado. Travessia feita, pedágio pago (aliás no Chile a motos também pagam pedágio), fotografias e filmagens feitas, seguimos viagem. Daqui 40 km novamente a primeira aduana, a chilena e mais 20 km a aduna Argentina. Trâmites burocráticos feitos (aqui exigiram pela primeira vez a minha presença para que o imbecil do guarda conferisse o meu rosto com o da foto do passaporte = coisas da burocracia burra de países que se dizem integrados), seguimos até o próximo passo. Vinte quilometros que nos fizeram estar a 1850 km acima do nível do mar, cruzando a reserva regional Alto Bio Bio e então a visão das primeira araucárias centenárias encrustadas em montanhas com paredões verticais. Lugar lindo que sem dúvida mereceria de nossa parte mais atenção. Local ainda pouco explorado pelo mercantilísmo presente nas regiões dos lagos argentinos e vulcões chilenos. Local pouco convencional e talvez único. Estávamos na região da araucânia, nome proveniente destas grandes e lindas araucárias. Fotografias não conseguem expressar a beleza do lugar. Terminados os trâmites na aduana Argentina (também aqui outro embecil exigiu um documento de autorização para circular na Argentina, que teria que ter sido dado em outra aduana Argentina. Mas como, se estou entrando no país agora? Quem tem que me dar autorização é você, hora bolas. Pessoas pagas para só carimbar papéis e se fazerem de importantes acabam atrofiando o cérebro). Logo que saímos do passo, em uma ruta com paisagens belíssimas, a visão de centenas de cabras dependuradas em um grande desfiladeiro. Diminuo para que a Adelaide possa tirar algumas fotos e derepente um cabrito muito louco cruza a toda velocidade na nossa frente quase causando um acidente. Quase que o maluco nos atropela. Mais adiante lindos e fortes cavalos soltos na estrada. Seguindo um pouco mais um espetáculo. Milhares de cabras e cabritos e algumas cabeças de gado, seguem, de forma ordeira e disciplinada em fila indiana pelo acostamento da pista em sentido contrário ao nosso conduzidas no final da fila por dois cavaleiros pastores. Espetáculo único ver aquelas cabras brancas tão disciplinadas se dirigindo a outro ponto da pastagem pelo acostamento da rodovia. Chegamos então a comunidade de Las Lajas e aqui a Adelaide lebrou de um trecho do livro Chardô em que ele conta ter chegado a uma pousada na cidade e com fome viu um sagu sendo degustado por algumas pessoas. Pediu ao proprietário do estabelecimento quanto custava, pois queria comprar. Este com cara de poucos amigos e de forma antipática negou, pois eram para a família. Sem fazer questão de mais um hóspede, não demostrou a menor cordialidade, fazendo com o Chardô seguisse viagem até o Pino Achado em uma pousada familiar. Um dos momentos mais emocionantes do Chardô em sua magnífica viagem foi a visão das araucárias centenárias (em outra oportunidade reproduzo este trecho). Quando rememorávamos isto, achavámos que a referida pousada que o Chardô acabou ficando se localizava em Las Lajas, mas olhávamos para todos os lados e a descrição não conferia com o livro, pois o local deveria ter araucárias e Las Lajas já se caracterizava pelo caracterísitico relevo do deserto patagônico (Viemos em casa, relendo o livro constatar que a pousada fica em Pino Achado). Queríamos chegar ainda hoje em General Roca, 35 km de Neuquem, esta última capital da Provincia com o mesmo nome. Atravessar a rodovia na altura de Neuquem foi uma tortura, pois seus 15 km de extensão estão tomados de semáforos desincronizados fazendo com que parássemos em quase todos. A cada 300 metros um semáforo. Foi irritante este trecho e demorado. Vencido este trecho, faltavam ainda 35 km até General Roca e a certa altura deste caminho uma fila de carros parados. Será que ocorreu um acidente. Esperamos e a fila começou a andar. Chegando perto pudemos ver que se tratava de mais um protesto dos transportadores de frutas da região (a região é uma tradicional zona frutícula, principalmente produtora de maças), com pneus e galhos na pista, prontos para serem incendiados e obstruirem a ruta. Conseguimos ainda passar. Mais adiante no trevo de General Roca, mais uma barreira. Também, por sorte conseguímos avançar. Olhei no retrovissor e constatei que o caminhão que vinha logo atrás de nós havia sido parado. Em General Roca o desafio foi encontrar um bom e barato hotel. Depois de muito rodar e procurar (o centro de informações turísticas estava fechado), encontramos um mais ou menos e caro hotel. Paciência. Pegamos este, pois estávamos cansados e no dia seguinte teríamos um longo trecho pela frente e queríamos sair cedo. A propósito, General Roca é a cidade de uma simpática família argentina, a família Rubina, que conhecemos nas Termas de Manzanar. Um casal já mais de idade, muito agradáveis e gentis, com sua filha, a Letícia, e mais a irmã do patriarca. General Roca é uma cidade média, com opções de compra, com lojas e restaurantes. Trânsito organizado, com grandes rotatorias que facilitam o deslocamento. Fora isto sem muitos atrativos.
Fotos do 18° e 19° da viagem - Os 7 lagos Argentinos
Fotos do 12°, 13° e 14° dia de Viagem - Puerto Natales e o Parque Nacional Torres del Paine
Pausa para o tradicional lanchinho na estância San Gregório, hoje cidade fantasma.
Vapor abandonado, hoje patrimônio histórico do chile, assim como a estância.
Dois navios encalhados e abandonados compõe um instigante cenário.
Bonitas imagens.
Nós por sorte chegamos na hora, ainda a tempo de abastecer.
Estavam em direção a Ushuaia. Faziam o caminho contrário ao nosso.
Também neste posto conhecemos um grupo de Apucarana, do Paraná. Possuem um fotolog, com imagens da aventura: www.fotolog.terra.com.br/findelmundo
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Notas do Pilto - É hora de voltar
Se partir é bom. Voltar também é. Chegou, após 21 dias de uma viagem maravilhosa, cheia de surpresas, lindas paisagens, aventuras, adversidades e muita realizaçao, a hora de regressarmos para casa. Quatro dias, se tudo ocorrer bem, nos separam de nosso lar. Estamos com saudade dos familiares, dos amigos, de nosso apartamento, do chimarrao, das caminhadas, do churrasco, das nossas comidas caseiras, com a salada que só a Adelaide saber fazer, enfim, uma viagem como esta nos faz valorizar muito o que temos e o que fazemos e nos faz ver o mundo e as coisas sob um ângulo diferente. Uma viagem como esta, frente ao gigantismo e força da natureza que vimos e a força dos elementos naturais ao qual fomos submetidos, nos apequena. Mas uma viagem como esta antes de ser uma realizaçao que nos enche de orgulho nos aproxima de Deus. Nao tenham dúvida disto. Confesso que sempre senti a presença forte de Deus nos orientando, nos guiando, nos sugerindo e atuando para que tomassemos as decisoes corretas. Colecionamos muitas histórias e realizamos um sonho. Agora é hora de voltar, estamos com saudade.
21º Dia - 11/01/09 - Diário do Piloto = O Villarica e os banhos termais
Após andarmos 17 km chegamos ao pacífico. Nesta altura do chile o pacífico é pouco balneável, mas ve-lo nos fez pensar na maravilha que é este mundo e nos fez acalantar o sonho de quem sabe um dia navegarmos neste oceano tao majestoso. No retorno deste passeio nao pudemos deixar de visitar a feira de Valdívia onde se vendem peixes, frutos do mar , flores e verduras. Fantástico. As margens do rio que banha a cidade feirantes, pescadores vendendo seus produtos e milhares de aves marítimas e alguns lobos marinhos buscando alimentar-se da limpeza dos peixes que era feita na hora. Bacana e autentico. Sao situaçoes e momentos como este que fazem qualquer viagem especial. Nos despedimos de Valdívia. A cidade, confesso nao me chamou a atençaao, porém existem particularidades nela que merecem ser exploradas. De Valdívia rumamos para cidade de Villarica e Pucon, esta última aos pés do vulcao Villarica. Lá chegando, embora a cidade muito bonita e como Vila Angustura, um importante centro turístico, tudo, mas tudo se cobra. De banheiro público a estacionamento, enfim. Absolutamente comercial a cidade, e com preços para lá de exorbitantes. Até em postos de combustível para usar o banheiro voce deve pagar. Fotografamos o imponente vulcao, que ainda está em atividade e rumamos para Temuco, onde a intençao era visitarmos o museu da Araucânia, importante museu que guarda a história dos valentes índios Mapuches, que opuseram forte resitência a colonizaçao espanhola e de outros emigrantes. A cidade e a regiao ainda possuem muitos territórios Mapuches, talvez os nativos que mais ofereceram resitência ao colonizador em toda a américa latina (merece um estudo mais aprofundado). Infelizmente o museu estava fechado. Resolvemos seguir viagem. Nossa intençao agora era encontramos um hotel, já antecipadamente pesquisado pela Adelaide com piscinas de águas termais. Este hotel (hotel Manzanar) ficava na localidade de Manzanar (a 20 km do túnel Las Raices). Chegamos as 19:00 e a piscina funcionava até as 20:00. Resolvemos, já que estávamos concluindo nosso roteiro, nos darmos um presente. Pegamos o melhor quarto, com hidromassagem e vista = Nós merecíamos. Nao perdemos tempo e fomos conhecer imediatamente a piscina térmica. Que delícia. Que efeito relaxante. Uma maravilha. Saí meio dow, meio sonolento, tal o efeito destas águas, retiradas de poços, cujo aquecimento se dá em funçao dos vulcoes (três em volta deste hotel). Para se ter uma idéia a água chega com 56 Cº de temperatura e precisa ser resfriada. A piscina estava com 38 Cº quando a experimentamos. A noite um ótimo jantar no hotel com direito a excelente cerveja austral produzida em Punta Arenas. Pena que nao tenho espaço na moto para trazer alguns exemplares. Dormimos como anjos realizados e felizes por termos a bençao e oportunidade de estarmos ali. No dia seguinte iniciamos a volta para casa (quatro dias nos separam de nosso lar).
20º Dia - 10/01/09 - Diário do Piloto = Puerto Varas e Valdívia
Dormimos demais e acabamos saíndo tarde. Rumamos em direçao ao passo, onde atravessaríamos novamente a fronteira rumo ao Chile. Logo que chegamos ao passo Argentino uma enorme fila de carros (mais de 1 quilometro de fila). Pensei que somente a noite atravessaríamos (esta foi a conseqüência de dormirmos demais). Novamente dei uma de cara de pau e ultrapassei quase todos os veículos, tomando assim várias posiçoes. Vantagem de uma moto. A Guarda nacional liberava de 20 em 10 veículos para a aduana. Mesmo assim a demora foi considerável. No passo Argentino conhecemos um senhor que têm parentes no Brasil (Teotônia e regiao) e a Adelaide e ele começaram a conversar em alemao enquanto aguardavam na fila. Se comunicaram perfeitamente. No passo Chileno a mesma demora. Pela primeira vez inspecionaram nossa bagagem (O Chile nao permite o ingresso de produtos de origem animal e vegetal no seu território). Burocracia vencida, ingressamos no Chile e logo a paisagem, que havia mudado completamente, começou a lembra o Brasil. A vegetaçao, o clima, enfim (Será a saudade batendo?). Nos impressiou a pujança do setor primário, principalmente nesta ruta, que nos leva a Osorno, a produçao leiteira. Grandes plantéis de Gado holandês em pastagens muito bem cuidadas e animais magníficos. Muito interessante o desenvolvimento deste país. Também a marca registrada sao suas estradas. Rumamos para Puerto Varas, distante 90 quilometros de Osorno. Lá tínhamos intençao de visualizarmos o vulcao Osorno e a arquitetura local, característica e autêntica. Casas revestidadas de pequenos pedaços de madeira, cuidadosamente cortados e encaixados. Interessantíssimo a cidade. Prédios de três andares todo de madeira. Muito peculiar. Lá tiramos várias fotos da igreja anglicana, belíssima, toda em madeira e com a curiosidade de possuir três torres. O Vulcao Osorno encoberto com nuvens. Ficará para uma próxima. De Puerto Varas rumamos para Valdívia. Deveríamos retornar a Osorno (90 km) e andar mais 100 km até Valdívia. Chegamos as 20:00 em Valdívia e encontramos um bom e barato hostel. No dia seguinte a intençao era visualizarmos o oceano pacífico e também irmos a Pucon tentar ver e fotografar o vulcao Villarica.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
19º Dia - 09/01/09 - Diário do Piloto = A ruta dos 7 lagos Argentinos
Estávamos bem instalados na cabana. Aconchegante, porém teríamos que providenciar o desayuno. Toda infra-estrutura existia: geladeira, fogão, etc, etc. Afinal a casa já havia sido moradia do dono da hosteria. Também era dia de resolvermos outras situações domésticas, como mandar lavar nossas roupas (segundas peles e outras) e comprar alguns mantimentos no mercado local. Toda esta função fez com que saíssemos em direção a ruta dos 7 lagos somente ao meio-dia. A ruta dos 7 lagos liga Villa La Angostura a San Martín de Los Andes e corta dois parques ao meio. São 137 quilômetros onde em seu trajeto podemos visualizar as maravilhosas paisagens, verdadeiras telas de pintura. Porém 45 km da ruta são de rípio e com tráfego intenso. Este trecho está muito ruim. Ainda bem que compactado e sem os pedregulhos característicos de outras estradas ripíadas, como a famigerada ruta 40. Porém comemos muito pó. Muitos carros cruzando e levantando poeira. Não fosse este detalhe o passeio teria sido um prazer total. Mesmo com o pó curtimos, afinal estamos vivendo uma experiência única. Chegando a San Martín de Los Andes a grande surpresa para mim: Uma cidade linda, organizada, com suas residências com materiais da região (pedra e madeira), lembrando muito uma cidade européia. Muito mais bonita que Villa La Angostura, que, aliás, embora sem dúvida bonita, não foi um lugar que curtimos. Explico: É sim um point, como Bariloche, turístico e com grande afluxo de turistas. Isto fez com que a cidade perdesse sua autenticidade, fazendo com que suas residências, comércios e construções em geral fossem feitos para inglês ver. Eu já prefiro uma cidade autêntica, que mantêm verdadeiramente suas tradições e autenticidade. San Martín de Los Andes me pareceu uma destas cidades. De colonização predominantemente Alemã e Inglesa, soube manter suas características originais e se desenvolve dentro deste padrão. Em San Martín aproveitei para comprar um calçado novo para a Catarina. Precisei trocar o pneu traseiro, pois com o peso que carrega seu desgaste foi maior e antecipou em 3.000 km em relação ao que deveria ser o normal (troquei com 9.300 km, quando a média são 12000 km. Comprei um pneu bom e muito mais barato que no Brasil). Enquanto o pneu era trocado fomos passear na agradabilíssima San Martín. Ao chegar a praça central um ônibus de dois andares (igual ao ônibus inglês) estava prestes a partir para uma city tour de 1h30min, exatamente o tempo que aguardaríamos para a troca do pneu. Embarcarmos e pudemos com a locução de uma guia local conhecer todos os recantos desta cidade que mereceria dois ou três dias de permanência. Saímos de San Martín as 20h30min, ainda claro, porém tínhamos 137 quilômetros para fazer até Villa La Angostura, sendo 45 de rípio, onde a velocidade necessariamente precisa ser baixa (muitas curvas no caminho). Iniciamos o retorno e para o nosso azar fomos barrados em duas ocasiões, uma pela guarda nacional e outra pela polícia federal (aqui a primeira vez que nos pediram para mostrar o seguro carta-verde). Tudo em ordem, porém por menor que tenha sido o tempo parado, já nos atrapalhou um pouco. Ingressamos no parque e a noite se avizinhava. Na metade do percurso já no rípio, escuridão total. Seguimos com todo o cuidado, mas novamente a sensação de nunca chegar foi constante. Além disto, tínhamos que chegar a tempo de retirar as roupas da lavanderia. Chegamos a Villa La Angostura em cima do laço. O dia foi interessante, o parque é lindo, as paisagens são deslumbrantes. O que tirou o brilho completo foi sem dúvida a estrada. No dia seguinte ingressaremos no Chile, iniciando a última etapa de nossa viagem. Lá queremos conhecer os vulcões chilenos, olhar o pacífico e tentar tomar banho em alguma piscina termal, com água aquecida dos vulcões e após retornar a Argentina, atravessando o túnel Las Raices.
Fotos do 8° e 9° dia da Viagem
Fotos do 10° e 11° dia da viagem
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Dentro das celas, obras de arte.
Bonecos em tamanho natural dão um interessante aspecto as galerias.
Na entrada já vemos arte.
Na Baía de Lapataia, no Parque Nacional da Terra do Fogo. Lindo.
Não precisa ser bom fotógrafo para aqui fazer ótimos postais.
Um lindo pano de fundo.
A ruta 3, com suas mais diversas paisagens. Ela termina, depois de imensos desertos assim. Fantástico, não?
Final da Ruta 3. São 3.079 km de extensão de Buenos Aires a Lapataia. Deste total, só não percorremos os 27km iniciais.
A fiél Catarina que nos trouxe a esta placa.
A comemoração do objetivo atingido.
A foto oficial do objetivo simbólico. Notem a distância ao Alaska. Será que um dia faremos esta viagem? Será que alcançaremos o extremo norte do continente?
Unidade Postal mais Austral do Mundo, na Isla Redonda.
Catarina conferindo.
No final do dia apreciando os recantos do Parque.
O entardecer do último dia de 2008, visto da janela da sacada de nossa hosteria.
O jantar de ano novo: panqueca, arroz a grega e molho e é claro uma Quilmes. Mas mais do que isto a certeza de mais um ano ótimo com muita saúde e com a resoluções colocadas em prática.
No dia seguinte (11°) o encontro com o jornalista Alexandre Garcia na entrada da estação de esqui Cerro Martial. Figura simpaticíssima.
A subida à estação.
A neve eterna.
Imagens que levaremos na memória.
A Adelaide mortinha com a íngrime subida ao Martial.
Não aguentou e deitou na neve mesmo. Fria mas fofinha.
Fria mesmo...
Ladeira íngrime de picos nevados. E muito ainda havia para subir.
Viemos aqui.
Córregos do degelo.
Na volta uma trilha diferente = em meio aos bosques característicos da Terra do Fogo.
Também no retorno uma pausa para o descanso.
Os troncos lenhosos destas florestas.
A estação de Esqui Cerro Martial.
O teleférico do Cerro Martial.
A corajosa Catarina nos aguardando.
Última circulada na interessante Ushuaia antes da partida.
O casario característico e interessante de Ushuaia também é uma atração.
Últimas fotos da cidade.
A cidade e sua baía.
Tchau Ushuaia, até um dia. Você é realmente uma cidade instigante.
Antes da partida uma parada na praça principal.
18° Dia - 08/01/09 - Diário do Piloto = A viagem a Regiao dos Lagos Argentinos
Sarmiento também tem atrativos, mas precisamos priorizar. Um deles sao os bosques pretificados a 30 km (de rípio) da cidade. Deixaremos para uma próxima, além do mais nao queria ver rípio tao cedo. Tocamos, com o galao reserva abastecido, pois o próximo posto de abastecimento seria em Governador Costa, a alguns bons quilometros. Iríamos contra o vento, portanto a moto consumiria mais. Para garantir, galao reserva. A partir daí nao haveria trechos tao longo sem postos de abastecimento. De Governador alcancamos a belíssima cidade de Esquel. Esquel é a cidade onde inicia-se a paisagem da regiao dos lagos. De Sarmiento até Esquel a paisagem é a da Patagonia continental: grandes extensoes, desertas, com vegetacao rasteira. A partir de Esquel a paisagem se altera, com morros, picos nevados e grandes arvores coníferas de caule lenhoso. Esquel vale a pena também se deter por no mínimo um ou dois dias, mas nao era nosso objetivo. Em Esquel encontramos um simpático casal paulistano, o Ricardo e a Silvia que já a tres meses viaja com seu motor-home. Sonho acalentado por toda a vida, agora realizado. A Silvia nos disse que agora o quintal de sua casa é o mundo, o mais lindo dos quintais. Simpatísissimos. Esperamos reve-los novamente e esperamos ter encontrado novos amigos. Parabens Ricardo e Silvia por também nos inspirarem. Também temos um sonho de um dia podermos viajar pelo mundo a bordo de uma casa sobre quatro rodas. De Esquel a Bariloche, que confesso me decepcionou. Nao dei maiores chances a cidade. Me irritei com a falta de sinalizacao. para uma cidade turística, tao badalada, poderia ter a sua entrada melhor cuidada (achei muito feia). Deve ser boa como estacao de esqui no inverno (opiniao muito pessoal minhao, sob o risco de estar comentendo uma injustica pois como disse nao dei maiores chances a cidade. Nem circulamos no seu centro). Seguimos para Vila Angostura. Lá chegamos já noite. Daí uma outra dificuldade se inicia: achar local bom e barato para ficar. Todos com estes predicatos lotados. Nos restava os carríssimos. Até que novamente o Quarto membro da equipe agiu novamente. Conseguimos aos 45 dos segundo tempo (já estávamos nos conformando com a facada de um hostel caro) uma belíssima cabana (parecia casa de boneca), por um preco interessante. Estávamos cansados e com fome. Por sugestao do proprietário da cabana fomos um restaurante bueno e barato. Realmente ele tinha razao. Comida com porcoes generosas a precos muitíssimos inferiores aos praticados no Brasil. E boa comida. Nos surprrendeu. Até ali só precos exorbitantes. Após fomos depois de mais um dia de 880 km rodados nos recolher, pois no dia seguinte conheceríamos os tao famosos 7 lagos.
domingo, 11 de janeiro de 2009
17° Dia - 07/01/09 - Diário do Piloto = 938 km em um dia.
Nosso prpósito era acordar cedo e avancar muito neste dia. Estávamos novamente na Ruta 03, no trecho entre Rio Gallegos e Comodoro Rivadávia. Realmente saímos muito cedo, antes ainda do desayuno e tocamos. Aqui cedo o vento nao é tao intenso. O dia amanheceu frio, com nuvens no céu. Rodamos bem até a lindíssima cidade de Comandante Piedra Buena (outro local que em outra oportunidade pretendo ao menos por um dia conhece-lo melhor. Hoje somente de passagem). Paramos no posto para tomarmos um café quente para nos aquecermos e comermos alguma coisa, pois estávamos sem desayuno). Lá encontramos um casal paulista de motociclistas, que havíamos encontrado em Torres del Paine. Ele comentou. Após Comodoro voce vai redescobrir o prazer de andar de moto. Estavam com muito frio. Sua esposa estava entrochada. Várias luvas para aguentar o frio que se intensifica ao pilotarmos a moto. A viagem foi muito gostosa, com o vento a nosso favor emprurrando a moto. Chegamos em Comodoro as 16:00 hs e a intencao era trocarmos o azeite (óleo) da moto na autorizada. Lá chegando o atendente da oficina disse que somente com hora marcada e tinham hora só para daqui uma semana. Expliquei que queria solamente cambiar o azeite, que estava em viagem e que nao tinha como esperar. Queria ainda hoje continuara viage, porém ele irredutívevel, sem a mínima vontade de ajudar disse que nao. Saí fulo da vida, nao acreditando que uma revenda honda pudesse ter este tipo de procedimento, ainda mais com um viajante que estava de passagem. Nao me conformei e fui falar com o gerente. Este sim fez a diferenca. Jorge o seu nome e logo nao mediu esforcos em nos ajudar. Foi falar com o chefe da oficina e em seguida demos inicio a troca do óleo. Apreoveitei para desentortar o pedal do cambio. Em cerca de 40 minutos tudo pronto, óleo trocado, correa lubificada e pedal deentortado (a bota já estava descascando em funcao do pedal) seguimos viagem até a cidade de Sarmiento. Ali nos despedimos definitivamente da Ruta 3, ruta esta que guardarei para sempre na lembranca. Longa, linda, me afeicoei a esta ruta. Cheia de nuances. Diferente em cada trecho e corta uma das regioes mais inóspitas de nossa américa do sul. Mítica a ruta 3. Até uma próxima ruta 3: te guardarei na memória. Agora estávamos na ruta 26, rumando em direcao oeste ao centro da Argentina, com o sol batendo diretamente nos olhos e centenas de camionetas hilux, de propriedade das empresas petroleiras da regiao vindo em sentido contrário. Interessantíssimo. Coimboio de camionetas. E na paisagem milhares de bombas de succao de petróleo. Na beira da estrada nos morros, nas coxilhas. Muitas e muitos destes equipamentos que lentamente vao bombeando o petróleo. Cehgamos em Sarmiento, conseguimos um razoável hotel e a noite comemos uma pasta (massa) caseira, por sugestao do posto de informacoes turísticas. No outro dia tentaríamos alcancar ao menos Sao Carlos de Bariloche. Rodamos no dia de hoje 938 km. Fiquei frustado ao olhar este número, pois queria ter passado dos 1000. Fica para uma próxima.
P.S: A Adelaide aguentou muito bem. Mulher corajosa e que parceira.
16° Dia - 06/01/09 - Diario do Piloto = O Vento e o Rípio se juntaram e finalmente conseguiram nos derrubar.
O Local: Tres Lagos, após 30 km do trevo de acesso ao povoado de El Chalten, no sopé do pico Fitz Roy = Estamos em uma Estacao de Servico (posto de combustível). Final do trecho asfaltado da Ruta 40. Logo que entramos no posto (já havíamos passado, nao o enxergando pois ele se localiza afastado da rodovia), vimos duas motos Transap estacionadas sendo abastecidas, em uma delas um americano que falava portugues na outra um casal de americanos (estes nao falavam qualquer palavra em portugues). O primeiro, que falava portugues, muito cansado. - De onde vens, perguntei, ja sabendo da resposta, pois o vi passar quando sem querer passei pelo posto. Respondeu: - da Ruta 40, de Bariloche. E eu imediatamente: - Como ela esta? - Horrível, respondeu, continuando, - muito e muito vento, vento forte e um rípio alto entre os trilhos de automóveis, e completou - Esta muito perigoso. Precisa muita forca para manter a moto nos trilhos e nao descontrolá-la para que nao mergulhe no pedregulho formado pelo trilho dos autos. A altura do leito entre os trilhos é de 30 cm ou mais em alguns locais. Levei 4 horas para percorrer 180 km, todo ele ruim. Antes (para nós seria depois) ele esta melhor. Além disto muitas custeletas nos trilhos. Como se nao bastasse a via estar péssima, o vento atua de forma intermitente, e volta e meia largando fortíssimas rajadas. Abastecemos as motos, o vento intensificando e nossa preocupacao aumentando. Estavamos ali em um dilema, retornar os 150 km ate El Calafate e se dirigir a Rio Gallegos e após subir a ruta 3, ou continuar , sofrer e enfrentar esta adversidade???? Resolvemos, em comum acordo, depois de alguma discussao prosseguir pela ruta 40. Péssima idéia. Antes de sair o americano alerta: muito cuidado, esta muito perigoso mesmo. Vao com cuidado e tomem muita água no caminho. Ao saírmos uma camionete vem trasendo carregada em sua carroceria o 4° membro da equipe (a moto estragada e o piloto acabado). Nao aguentou a ruta 40. Seguimos temerosos e o vento fortíssimo pegando no costado. Entramos na ruta 40, devagar e eu extremamente tenso tentando manter a moto nos trilhos. Vou seguindo, inicialmente 40, 50, 60 km/hora e entao uma forte rajada de vento já nos 2 km percorridos nos joga para o meio do trilho onde o pedregulho forma montes de 30 cm e a moto se descontrola, eu acelero e dá-se o acontecido: a moto derapa e faz um zerinho atirando eu e Adelaide um ou dois metros longe. Assim como caímos nos levantamos (tudo extremamente rápido). Eu apavoradissimo com a possibiliodade de a Adelaide ter se machucado, porém averiguacoes feitas, nenhum arranhao em ambos. Tudo bem com a gente. Agora era verificar a moto que recém abastecida expelia pelo suspiro gasolina. Ficou virada e deitada no sentido contrário (pela derapagem que formou um zero). Um dos alforjes arrebentou sua cinta que o segura no suporte. No mais tudo bem. Um Argentino, que recém havia passado por nós, viu que estávamos em maus lencóis, e deu marcha ré em sua caminonete. Veio ver se havíamos nos machucado e vendo a dificuldade de erguer a moto, nos ajudar a levantá-la. Com muito esforco, pois erguemos ela contra o vento, colocamo-a de pé. Por incrível que pareca e pela protecao dos alforjes nehum arranhao na Catarina, somente o pé da embrenhagem entortado. Será que algum problema mecanico poderia ter ocorrido com a queda? Bati o arranque e nada, acho que estava afogada. Bati novamente e nada. Definitivamente afogada. O vento mal nos deixava de pé. Esperei um pouco e bati novamente o arranque e finalmente ela ligou. Agora averiguar se as marchas funcionavam. Incialmente me pareceu difícil, pois a alavanca estava completamente torta, fora de sua posicao para uma debriagem tranquila, mas após algumas tentativas averiguei que estavam funcionando. Preciso aqui agradecer ao amigo Argentino (se nao me engano seu nome e Sérgio) que tao prestimosamente nos ajudou. Agora o desafio era sair daquele ripio, pois se antes estavamos em um dilema, agora tínhamos uma certeza: nao prosseguiríamos pelo rípio. Que encreca que nos metemos. Pela adrenalina, pelo vento, os 2 km de retorno foram para mim os mais longos de toda a viagem. Finalmente conseguimos alcancar o asfalto. Vale aqui a importante observacao que principalmente pelos equipamentos como roupas de cordura com protecoes nas articulacoes, botas e luvas, nada sofremos (Somente a bota da Adelaide foi um pouco mastigada, mas, como disse ela nada sofreu). Isto tudo ocorreu após já termos visitado o pequeno povoado de El Chalten, capital nacional do trekking. Povoado com nao mais de 400 habitantes e com uma razoável estrutura para atender os turistas, principalmente mochileiros. El Chlaten é uma comunidade incrustada entre paredoes, e ao chegarmos observamos ao fundo o belíssimo pico Fitz Roy, pontiagudo, nevado, lindo. Andamos entre ida e volta, do acesso pela ruta 40, 200 km aproximadamente, na ida, contra o vento, mas valeu. Este é outro local que pretendo novamente visitar. El Chalten é muitíssimo interessante. Apos nos dirigimos a ruta 40 para prosseguir viagem, sendo que já contei o que se sucedeu. Refeitos os planos retornamos para o entroncamento de El Calafate e seguimos viagem para Rio Gallegos. Havíamos abastecido em Tres Lagos e o próximo posto de abastecimento seria na localidade de Nova Esperanza. Nao teríamos autonomia, porém estava carregando mais 5 litros em um galao reserva. Daria para chegar na localidade abastecer e seguir para Rio Gallegos. Chegando em Boa Esperanza, qual nao foi a nossa surpresa (por incrivel que pareca, eu estava com um pressentimento) que ao chegar ao posto observamos escrito em uma folha de caderno espiral: No hay Nafta (nao havia gasolina). Somente chegaria no dia seguinte ao meio dia. Tinhamos gasolina para no máximo mais 40 quilometros, porem Rio Gallegos ficava a 160 km. Como fazer? Fomos até uma pequena hosteria perto do posto para saber se havia vaga na hosteria, porém tinha a intencao de comprar gasolina de algum particular. Nao aceitava a idéia de ficar até o meio dia do dia seguinte em um local sem nenhum atrativo, as margens de um rodovia, só porque um argentino incompetente havia esquecido de encomendar gasolina para seu posto de combustível. A Adelaide foi a primeira a pedir para as senhoras da hosteria. Nao, nao havia. Nao me conformei e fui lá conversar. - Pago mais, preciso de 10 litros para chegar a Rio Gallegos. Esta proposta foi a senha para um maior emprenho. A primeira tentativa se deu no veículo da proprietária da hosteria, senhora Liliana. Nao dava para acreditar: Havia um dipositivo anti-furto que impedia de sugarmos a gasolina. Pedi ao seu esposo (ou parente, que havia feito a tentativa de sugar a gasolina do veículo): - Mas nao há algum conhecido ou parente seu que possa me vender? Respondeu: - No, no Hay, acá os autos no son nafteros e si a diesel. É o dia, pensei, o que mais falta acontecer?. Porém a sorte comecou a mudar: Havía acabado de chegar a hosteria um já conhecido cliente e a Liliana (eu já havia me conformado com o fato de ter que dormir por lá e esperar até o meio dia do dia seguinte) lhe questiona se pode vender 10 litros de nafta para os brasileiros de moto. Conseguiu. Preciso agradecer a ela (se nao fosse seu empenho...) e ao argentino, de nome Eduardo (extremamente gentil) que nos cedeu a gasolina. E nao nos explorou. Cobrou um preco justo que nos possibilitou já quase noite chegar a Rio Gallegos. Um dia de muita adrenalina que terminou bem. Rodamos 750 km, porém avancamos pouco no nosso objetivo. Estávamos atrasados em torno de 350 km, pois a previsao inicial deste dia era dormirmos em Puerto San Julian. Porém gracas a Deus estávamos bem e havíamos conseguido chegar em Rio Gallegos. Vale aqui destacar quanto o Quarto membro da equipe nos ajudou neste dia. Primeiro: por diversas vezes tentou nos avisar do perigo de prosseguir na Ruta 40. Nós que ignoramos os avisos (lembrem do americano, da camioneta com a moto estragada, do vento, enfim, aviso nao faltou). Após nos colocou no caminho o Argentino Sérgio, que foi importantíssimo para nos auxilar após a queda. E por último, nos providenciou, através de outros gentis hermanos (lLiliana e Eduardo) que prosseguíssimos a viagem. Além do que nos protegeu da queda em todos os sentidos, inclusive nao avariando a moto de forma a nao prosseguir. Aliás, no momento da queda por um segundo pensei que a viagem havia terminado para nós. Felizmente nao. Destaco também o quanto a Catarina II tem sido valente, enfrentando com forca os ventos e nao nos deixando em momento algum na mao. Grande moto que entrará para história. No dia seguinte nosso propósito seria avancar muito. Se estávamos atrasados, o dia seguinte deveria ser de recuperacao.
P.S: Aqui um adendo e correcao. No dia anterior me referi a ruta 40 como carretera austral. Estava enganado. Achava que a Ruta 40 era a tao famosa carretera austral, porém esta está situada no Chile e é considerada uma das estradas mais lindas da américa. Que me corrijam os aventureiros que por ela já passaram. Bem que eu estranhava quando comentava com os Argentinos e via que eles nao entendiam bem o que estava dizendo quando me referia a Ruta 40 como carretera austral. Equívocos de um piloto de primeira viagem. Obrigado Renato pela Lembranca e correcao. A propósito, o Gaudério Renato Lopes, que escreveu o livro pelas Rutas do Cone Sul (já referido no blog) fez em Novembro de 2008 a travessia da Carretera. Vi em diversos locais seu adesivo Renato. Estamos agora ansiosos pela publicacao do relato desta sua aventura. Deve ter sido incrível. Obrigado também pela suas palavras de incentivo.
Notas do Piloto - Estamos em Valdívia
Estou em débito com os relatos do 16º ao 20º dia (hoje). Nestes 5 dias fizemos muitas coisas: rodamos muito e muita coisa aconteceu. Tem de tudo: Muito vento (mas, muito mesmo), e queda com direito a zerinho no rípio (Adrenalina no seu maior limite). Tem também falta de gasolina, e muitos e muitos quilometros rodados. Tem também pilotagem a noite no rípio no interior de um parque nos 7 lagos. Enfim, muitas histórias para contar que estaremos fazendo na primeira oportunidade. Agora nao vai dar pois a Lan house está fechando. Passamos aqui para dizer que já estamos em Valdívia no Chile, última etapa de nossa viagem e amanha iremos para Pucon tentar, se o tempo ajudar, ver o vulcao villarica (ainda em atividade). Obrigado pelos comentários, eu e a Adelaide ficamos muito felizes quando os lemos.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
15º dia - 05/01/09 - Diário do Piloto = O Deslumbrante e gigante Perito Moreno.
Bom Pessoal, quem está acompanhando o blog, notará que hoje o atualizei completamente (faltando as fotos dos últimos dias relatados). Estou escrevendo de uma lanhouse aqui de El Calafate, após o passeio até o Perito Moreno. Dormiremos hoje aqui e amanha rumaremos para a regiao dos 7 lagos Argentinos (Bariloche e cia). Estou num dilema. Para chegar a esta regiao, tenho duas opçoes. Retornar até Rio Gallegos, subir novamente a ruta 3 até Comodóro Rivadávia e dali rumar a esquerda até esta regiao. A outra opçao é seguir pela ruta 40, a maior da argentina, conhecida neste trecho como carretera austral, porém serao 600 km de rípio, enquanto a primeira opcao serao 1100 km de asfalto. Economizo em distancia em torno de 500 km, porem pego rípio. A vantagem que a Carretera nos proporciona visoes magnificas. É considerada uma das estradas mais belas da Argentina, embora também uma das mais difíceis. Nao tomamos aina a decisao. Voces saberao na próxima postagem, nao sei quando, certamente já na regiao dos lagos. Mas vamos ao Perito Moreno. De tudo o que eu já vi nesta viagem, o glaciar Perito Moreno, talvez, ou com certeza é a coisa mais impressionante que existe. 250 km quadrados de gelo (maior que a área de Buenos Aires). Gelos que na superfice do lago argentino alcançam de 40 a 60 metros de altura e 100 metros subemersos. De onde o visualizamos, sao mais de 2 km de extensao. Para vermos mais de perto pegamos uma ferry. Impressionante os tons de azul que mudam conforme o sol vai batendo em sua paredes. Após o passeio que durou 1 hora, fomos até as passarelas em frente ao Glaciar. Dali visualizamos o glaciar de cima e de frente. Estrondos, como trovoes podiam ser escutados, era o gelo se despreendendo de suas paredes. Mesmo blocos relativamente pequenos causavam grands estrondos. Infelizmente nao conseguimos flagrar um grande bloco se despreendendo, mas dv ser uma visao de outro mundo. O Perito Moreno é de tirar o folego, nao tenham dúvida. Parece um gigante ser vivo, que vai aos poucos se movimentado. Retornamos felizes e agradecendo a Deus a oportunidade de estarmos aqui vivendo esta viagem e conhecendo estes lugares. Somos realmente previlegiados.
P.S: Mais uma vez eu e a Adelaide agradecemos suas mensagens, sua companhia. Cada vez que lemos uma postagem, e lemos todas (na volta entraremos em contato com todos), ficamos super felizes. Esperamos que nossa viagem inspirem outros a fazê-la. Vale a pena.
14º dia - 04/01/09 - Diário do Piloto = Rumando para El Calafate.
Após a operacao varal que foi um sucesso, o dia parecia que nos apresentaria a mesma dificuldade do anterior: chuva. Felizmente foi só uma ameaça que nao se concretizou. Nao andaríamos mais que 300 km até El Calafate, sendo 60 de Rípio, portanto, teríamos condicoes de chegar cedo na cidade nos instalarmos com tranquilidade para no dia seguinte conhecermos, uma as principais atracoes de nossa viagem: o Glaciar Perito Moreno, dentro o parque nacional Los Glaciares. No Caminho, no entroncamento para pegarmos o rípio, que nos enconomizaria em torno e 100 km encontramos o grupo de italianos, que havíamos encontrado no começo da viagem. Havíam descido a Ruta 40, que significam 600 km de rípio e rumavam agora para Torres del Paine. Legal encontrá-los, mesmo que rapidamente, pois havíamos perdido seus endereços eletronicos, quando em Trelew esqueci no posto de combustívl todas minhas anotaçoes, mais alguns adesivos e os endereços de alguns amigos que havíamos conhecido até aquele ponto. Vamos ver se recupero. No Brasil tentarei contato com o posto. Se guardaram (acho difícil) pedirei para me remeterem. Também neste posto no meio do nada, um grupo de caminhonete, de Apucarana no Paraná, estacionou: troca de adesivos e promessas d vizualizarmos os respectivos blogs, seguimos viagem até El Calafate. Cidade Interessante, ponto de partida para o Parque, com boa infra-estrutura. Bonita, aconchegante, mas com os preços exorbitantes. Pensei que somente nós compravámos viveres no mercado para nao se sujeitar ao roubo oficializado da comida argentina, mas observamos que muitos fazem, inclusive os europeus que nao tenham dúvida, também estranham os preços aqui praticados. Achamos um boa e barata hosteria, jantamos e no dia seguinte, o famoso Perito Moreno.
13º dia - 03/12/08 - Diário do Piloto = Parque Nacional Torres del Paine, Incrível.
Saímos cedo, com o céu ameaçando ficar azul. No caminho ao parque nacional, parte asfaltado, já o aperitivo do que veríamos. Flores no caminho, montanhas ao fundo, verde, águas azuis. Chegamos em Cerro Castilhos, pequeno povoado, que faz fronteira com a Argentina. Lá uma igrejinha de cinema, fotografei. O posto também e cinema. Aliás, esqueci de comentar que comparo (nao sei se é a melhor comparacao, mas é o que me lembra) muitas das cidades que já passamos com algumas que vemos nos filmes americanos que mostram a regiao do texas, ou os faroestes, desertas, com um posto de combustível, algumas casas e a imensidao do deserto a sua volta. É tudo muito diferente do que conhecemos. Já estávamos trafegando no rípio, porém a partir de cerro castilhos a dificulade começou a aumentar, e o vento também. No caminho a paisagem deslumbrante. Uma primeira parada para lancharmos (havíamos comprado mantimentos para passarmos o dia no parque) e vizualizei um grupo de condores sobrevoando muito próximos de nós. Lindo, emocionante. Que ave fabulosa. Continuando nosso passeio, muitos guanacos e o vizual da paisagem cada vez mais lindo e interessante. O tempo começou a mudar e os primeiros chuviscos com vento. Conseguimos ainda ver o massiso Paine e os cuernos del paine, mas em seguida a neblina tomou conta. Os lados de um azul claro, decorrentes da açao dos glaciares, compunha com o verde, com trechos de vegetaçao rasteira multicores (alaranjado, vermelho, verde, marron) cenários instigantes. Nossa intençao era dormirmos no parque, mas nao encontramos vaga. A chuva se intensificou. Era hora de seguirmos viagem. Pousaríamos em Puerto Natales para no dia seguinte seguir viagem até El Calafate.
P.S: Com certeza retornaremos a este parque e ficaremos por aqui acampado ou em alguma hosteria por no mínimo 1 semana. Vale a pena. Já virou resolucao. Muitas possibilidades de trekking e passeios dentro do Parque. Cumpre dizer que o Parque Nacional Torres del Paine é considerado patrimonio a Humanidade. E nao poderia ser diferente = É Fantástico.
P.S 2: Rodamos neste dia 240 km de rípio, com vento em alguns momentos e chuva no final. Trechos bons e trechos horríveis com pedras e muitas costeletas. A Noite tivemos, já em Puerto Natales tivemos que pela primeira vez na viagem adotarmos a operacao varal, pois nossas roupas estavam molhadas.
12º dia - 02/01/09 - Diário do Piloto = Novamente o Vento, um adversário terrível.
Acordamos, fizemos o desayuno (também no Chile muito ruim) e abatecemos na única bomba de gasolina de Cerro Sombrero, que como já falei, cerra suas portas as 20:00 hs. Diferente da travessia a dois dias atrás, esta foi rápida e tranquila. Aqui o vento começa a soprar forte a medida que o dia avança. Pela manha é relativamente fraco (relativamente para os padroes patagonicos. Para nós este fraco é muito forte). Terminada a travessia rumamos para Puerto Natales. No Caminho uma indústria de lá abandonada. Uma pequena cidade as margens da ruta 09 abandonada (Estancia San Gregório), com dois návios encalhados. Nao pude deixar de parar e fotografar. Muitíssimo interessante. Seguindo viagem o vento se encarregou de dizer que o dia realmente nao seria fácil. Começou a soprar com muita intensidade. Na altura do cruzamento que indicava para direita puerto Natales e para esquerda, a 50 km Punta Arenas, resolvemos conhecer esta cidade chilena, consideráda a mais austral, possível de ser alcançada com um veículo. Valeu a pena. Lá almoçamos dois hambúrgues deliciosos na praça central (Cumpre aqui esclarecer que adotamos a máxima do Chardo, motociclista experiente que já fez diversas viagens por este continente. Ele diz o seguinte: "Quem gasta muito, viaja pouco". Por isto controlamos muito nossos gastos pesquisando locais para dormir e optando por alimentaçao mais em conta. No Chile os preços, diferente da Argentina estao dentro e padroes razoáveis. Na Argentina, tudo é um roubo). Almoçados, em um local agradabillíssimo, com um solzinho acolhedor. Deu vontade de ficar por lá, fotografamos, conversamos com moradores locais, que vieram puxar conversa. Diga-se e passagem que por onde passamos chamamos a atençao. Cabe aqui mais uma observaçao: Eta povo simpático este chileno, aliás gostam muito de Brasileiros. Em Punta Arenas visitamos o cemitério local, que é ornamentado com ciprestes cuidadosamente aparados, formando esculturas, que parecem dedos saindo do chao. Valeu a parada em Punta Arenas. Desta cidade saem excursoes para os fiordes chilenos e também para Puerto Willians (esta sim a cidade do fim do mundo). Seguimos viagem com o vento nos castigando terrívelmente. Quase conseguiu nos tirar da estrada, com uma de suas chicotadas, e por pouco nao ocorre um grave acidente. É realmente muito forte. Eu evidentemente nao deixei de exclamar diversos improprérios impublicáveis a este terrível adversário. Somente passando o que passamos para que voces saibam do que estou falando (os motociclistas que já andaram por estas bandam sabem). Para terem idéia do quanto o vento é presente nesta regiao, nas margens da Ruta 09, no caminho a Puerto Natales, o governo chileno construi um belíssimo monumento ao vento. Com muita dificuldade paramos e fotografamos. Eu, nestas situaçoes nao posso nem pensar em sair da moto. A Adelaide se encarrega das fotografias. Ela mesmo tem dificuldade de firmar a mao para fotografar, tal a força do vento. Paramos em cerro chico, para tomarmos um chocolate quente e nos aquecrmos. Local interessante este paradouro. O nome é derivado do fato de lá haver um cerro no meio da planice, hoje tombado pelo governo chileno (considerado patrimonio nacional), por ser sítio arqueológico dos indígenas tehuelches, que lá viviam. Chegamos finalmente em Puerto Natales e logo percebemos o quanto esta cidade é interessante. Nos instalamos e saímos para passear na cidade, pois o sol estava ainda alto (lembrem que aqui o dia é muito mais longo). Jantamos um pizza e no dia seguinte exploraríamos o Parque Nacional Torres del Paine.
11º dia - 1/01/09 - Diário do Piloto = É hora de deixarmos a Terra do Fogo.
A nossa intensao neste dia era a de visitarmos a estacao de esqui Glaciar Martinal e logo após visitarmos o museu do Fim do Mundo, com uma coleçao de animais da regiao. Dali rumaríamos para Rio Grande. O dia amanheceu com céu nublado. Subimos o Cerro Martinal. Longa subida, cujo trecho final somente com jeep. Me arrisquei de moto e consegui chegar ao inicio da trilha que nos levava a geleira. Muitíssimo interessante. Nosso primeiro contato com a neve, teve direito a deitarmos e rolarmos na neve. A subia, nao tenham dúvida, necessita e um bom preparo físico, dado a sua inclinacao. Mas a vista, apesar do nublado do céu compensa. Retornamos entao a Ushuaia, e fomos procurar o museu. Fechado. Um absurdo. Como uma cidade, que vive do turismo, com turistas do mundo todo pode fechar as portas de seus museus. Aliás todo o comércio fechado. A cidade estava deserta. Dica para futuros viajantes. Nao venham para cá em feriados, como natal ou ano novo. Nós viemos pois temos como mania passar nossas viradas de ano em locais inusitados. Mas fora esta nossa situaçao muito particular, nao recomendo a vinda nestes períodos. Nao nos restava mais nada a fazer em Ushuaia. Objetivo cumprido, cidade relativamente explorada (É claro que muito ainda pode ser feito por estas bandas), resolvemos seguir viagem, claro, que sem antes bater as fotografias que faltavam. Comemos um sanduiche as margens do beagle, com a companhia de gaivotas que logo cercaram a Adelaide atrás das migalhas do pao. Seguimos entao alcançando Cerro Sobrero, local que ficamos na vinda. Havíamos feito muito neste dia, inclusive vencido novamente o rípio (já estava mais ambientado). Faltava o estreito. No dia seguinte tentaríamos alcançar Puerto Natales, base para exploraçao do Parque Nacional Torres del Paine.
10º dia - 31/12/08 - Diário do Piloto = Explorando o Fim o Mundo
No dia seguinte acordamos, tomamos o desayuno, que aqui no fim do mundo continua fraquinho e ruim como no resto da argentina e rumamos ao porto para nos informarmos sobre as possibilidades de passeio no canal beagle. Contratamos um passeio de 2,5 horas que tinha por limite contornar o famoso farol o fim do mundo, no caminho paradas para apreciarmos a ilha dos lobos, a ilha os passáros e finalmente o farol, isto tudo com Ushuaia e o picos nevados ao fundo. O barco que nos levaria era um confortável Catamaran e nele, aliás em toda a Ushuaia, muitos estrangeiros, italianos, franceses, alemaes. O Passeio vale a pena e quem vier para estas bandas nao deixe de faze-lo. Fotografias e imagens maravilhosas podem ser feitas. Poderíamos ter contratado um passeio maior que passaria a frente de Puerto Willins, base militar chilena que esta sim é a localidade mais austral do mundo, mas propositalmente deixamos para outra oportunidade, como mote para voltarmos. Vamos a Puerto Willians de veleiro, um dia, se Deus quiser, e ele tenho certeza que quer. Terminado o passeio, tratamos e providenciar nossa janta para a virada do ano: quatro panquecas, arroz a grega e molho, claro que acompanhado por duas quilmes longneck geladinhas. Providenciado a janta fomos visitar o museu do presídio. Para quem nao sabe os primórdios desta cidade tem origem na instalacao de um presídio. Outro passeio bacana com muito informacao. Precisaríamos de um dia todo para observar, ler e estudar com atencao todas as informacoes. Sao muitas as histórias. Nesta regiao as histórias superam qualquer lena, ou qualquer imaginacao que possa criar algum romance. Afinal, vemos aqui histórias de exploracao de locais hinóspitos (antártica), histórias dos presos e apenados, história dos colonizadores, enfim, o clima, o local, as dificuldades sao ingredientes para muita histórias impressionantes. Do museu (lembrem que aqui escurece as 22:30 hs) rumamos para o Parque Nacional Terra do Fogo. Lindo. Lá encotramos a Placa que sinaliza: aqui termina a Ruta Nacional n. 03. Muitas fotos, com moto, sem moto, com bandeira o Brasil, sem bandeira, enfim. Atingimos o nosso objetivo simbólico. Circulamos ainda dentro o parque conhecendo seus recantos, como por exemplo a isla redonda onde existe a unidade postal mais austral do mundo. Infelizmente já cerrada. Fica para uma próxima. Queríamos carimbar nesta unidade postal nosso passaporte com o carimbo da Isla. Retornamos para Ushuaia e fomos preparar a nossa janta para passagem do ano. Nos acompanhou neste jantar o Cláudio, argentino de Buenos Aires, praticante de trekking, figura simpática, inteligente e também um grande viajante. Nos foi uma companhia agradável e temos certeza que fizemos um novo amigo. Cláudio, obrigado pela companhia, obrigado pela mensagem postada neste blog e quando vieres a Porto Alegre, por favor nao deixe de nos visitar. Será um imenso prazer te receber. Da nossa parte quando formos a Buenos Aires, queremos te encontrar. Bom pessoal, como as postagens estavam atrasadas, nao pudemos desejar a todos um Feliz 2009. Fazemos agora: que 2009 seja um ano repleto de saúde e realizaçoes a todos nós. Obrigado por nos acompanharem. Muitas viagens, aventuras e histórias para contar para todos nós, é o que desejam o Alvaro e a Adelaide.
9º dia - 30/12/08 - Diário do Piloto = Finalmente o Fim do Mundo.
Cerro Sombrero, pequeno lugarejo a alguns poucos quilometros o estreito e magalhaes, já no Chile é uma comunidade com nao mais de 2000 pessoas e os seus moradores na sua maioria vivem da exploracao do Petróleo. Ficamos em uma hosteria com banheiro compartilhado, mas sem problemas, pois além de nós somente estavam hospedados um casal (ele frances e ela Ucraniana) motociclistas. Pela nossa programacao deveríamos ter dormido em Rio Grande, mas a suspensao a travessia o dia anterior atrapalhou os nossos planos. Enfrentaria agora um trecho de 140 km de rípio com vento (nao forte com no dia anterior, mas mesmo assim preocupante). Iniciamos a viagem e fui aos poucos me ambientando a este rípio, bastante firme e relativamente com poucas pedras soltas. O Caminho todo um deserto de grandes extensoes onde se cria ovelhas fueguinas, sem cercas, portanto comum ve-las no meio da rua. O mesmo com guanacos. Muitos guanacos no caminho. O rípio foi relativamente tranquilo. A Adelaide que quase perde definitivamente sua luva, pois na carrona vai fotografando, mesmo com a moto em movimento e acabou deixando a luva cair, que foi localizada a meio metro de um córrego. Sem luva nao teria condiçoes de continuar, pelo frio que estavámos enfrentando. Finalmente chegamos a fronteira do Chile, tramites rápidos de saída e logo em seguida fronteira da Argentina, aí sim um pouco mais demorado (normal, a entrada ser mais burocrática). Chegamos finalmente em Rio Grande, base militar da guerra das Malvinas. Lá nos vemos um monumento em tamanho natural aos soldados argentinos que lutaram nas Malvinas e a famosa frase "As Malvinas sao Argentinas". Já em Rio Grande minha emocao era evidente. Estávamos a 250 km de nosso destino. Havíamos rodado até ali 4.700 kilometros e mais alguns chegaríamos finalmente ao objetivo tao acalentado. Era dificil de acreditar. Estávamos conseguindo. Lanchamos e seguimos viagem. 20 km após Rio Grande inicia-se uma mudança na vegetaçao. Árvores lenhosas, de troncos contorcidos, parecendo bonsais, mescladas com troncos secos. A vegetaçao e o relevo o fim o mundo se apresentado. Andando mais um pouco ao longe os primeiros morros. Daqui a pouco a visao do lago Faganho, o segundo maior lago argentino e o local onde termina a cordilheira dos andes. Muito emocionante. Paramos para fotografar o momento. Mais 100 km e estaríamos em Ushuaia. Andando mais um pouco apontei para a Adelaide o primeiro pico nevado. Impressionante como a Ruta 03 vai no seu trajeto ganhando contornos completamente diferentes. Grandes montanhas com lagos azuis da cor do céu. Mais alguns kilometros inicia começa a chover. Ushuaia nos recepciona com chuva. Com os dedos congelados, aliás com o corpo congelado avistamos a placa: Bem vindos a Ushuaia, a Terra do Fim do Mundo. Paramos e fotografamos ao lado da placa. Havíamos alcançado o Fim do Mundo. Mais 20 km nos separava de nosso objetivo simbólico: fotografar ao lado da placa que indica a finalizaçao da Ruta 03 no Parque Nacional da Terra do Fogo. Ushuaia é muito interessante. No sopé de grandes montanhas nevadas, tendo na sua frente o canal beagle, é cheia de ladeiras e suas casas sao necessáriamente aquecidas. Interessante que algumas sao feitas de uma espécie de zinco ou latao. Tudo muito diferente e frio. Cidade, na minha opiniao linda para se visitar, conhecer, explorar, passar vários dias, mas morar, nem pensar. Nada como nosso bela e boa Porto Alegre. Logo que chegamos tratamos de encontrar nosso hosteria, já com as reservas feitas no Brasil. Localizamos com facilidade. Instalados tratei de achar a mecanica autorizada da honda para mais uma revisao na Catarina, que diga-se de passam, se comportou muito bem nestes 4.900 km de viagem. Enfim, estávamos no Fim do Mundo. Foi maravilhoso ter alcancado este objetivo, mas mais o que isto, maravilhoso foi fazer o caminho. No dia seguinte programamos um passeio no Canal Beagle e atingir nosso objetivo simbólico no parque Nacional Terra do Fogo.
P.S: Este teclado é ruim pra caramba. Perdoem eventuais erros e faltas ou trocas de letras.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Notas do Piloto - Já estamos em El Calafate
Já estamos em El Calafate. Amanha visitaremos a cereja do bolo da viagem: o Glaciar Perito Moreno. Ontem circulamos (240 km de rípio) o Parque Torres del Paine em Puerto Natales: Também uma visao de encher os olhos. Com certeza em outra oportunidade regressaremos e acamparemos neste parque
Notas do Piloto - Amanhã é a partida do Serra e da Manja = Boa viagem ao Casal.
Amanha meu amigo Serra e sua esposa Manja partem também em uma viagem por estas bandas até Ushuaia. Com sua XT 660 vao curtir as emoçoes de uma viagem maravilhosa. Ao casal o desejo de uma ótima viagem e torço para que nos encontremos no caminho. Abracao Serra e Manja e que Deus os acompanhe.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Notas do Piloto - A dificuldade de atualização do blog
Está muito complicado atualizar o blog, pelos mais diversos motivos, entre eles a dificuldade de internet, de acesso, velocidade e em alguns casos o fato de termos atividades (viagem ou passeios) até tarde da noite.
Agora já estamos em Cerro Sombrero, no Chile, nos dirigindo a Torres del Paine, também no Chile. Cerro Sombrero é um povoado de somente 2000 habitantes a alguns kilometros da travessia do estreito de magalhaes. Por falar em estreito de Magalhaes, amanha estaremos novamente o atravessando. Na primeira travessia enfrentamos uma verdadeira aventura, com direito a ventos de 120 km por hora e a interrupcao da travessia da balsa em funcao da forca dos ventos. Esperamos das 14:00 a 20:00 para podermos atravessar. Amanha chegaremos a Torres del Paine e nao sabemos ainda onde passaremos a noite. Vamos se neste local consiguiremos colocar em dia o blog. A todos que estao acompanhando queremos dizer que estamos felizes pela companhia. Isto nos motiva ainda mais a seguir o caminho.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Notas do Piloto - Chegamos a Ushuaia
Chegamos finalmente a Ushuaia, a cidade mais austral (ao sul) do planeta. Ainda existem 30 km transitáveis com veículos para que a Ruta 03 finalize. Ao percorrer estes 30 últimos kilometros cumpriremos com nosso objetivo simbólico de percorrer toda a ruta 03. Chegar a Ushuaia foi o máximo. Confesso que já na cidade de Rio Grande, a ultima antes de Ushuaia (200 km antes) a emoção já tomava conta de mim. Por diversas vezes nestes 200 km finais segurei as lágrimas que teimavam em cair. E realmente emocionante alncancar um objetivo a muito tempo acalentado. Amanha estaremos conhecendo as belezas e os locais interessantes de Ushuaia, porem adianto que os 100 km finais, anteriores a cidade de Ushuaia são arrebatadores. Visualizar onde termina a cordilheira dos Andes, com seus picos nevados e uma visão de outro mundo. Visualizar o lago Fagano, com suas águas verdes, emolduradas por um floresta de árvores com troncos lenhosos e contorcidos, cobertos de verde e fantástico. Enfim chegamos ao fim do Mundo. Chegamos ao Canal Beagle. A nossa aventura ainda não terminou. Veremos muitas outras criacoes lindas ainda. Mas se me perguntarem como e a sensação de alcançar um objetivo, sem duvida responderei: E otimo, fantástico, indiscritivel, porem, melhor do que o objetivo e o caminho percorrido.
Fotos do 5º, 6º e 7º dia viagem
8º dia - 29/12/2008 - Diário do Piloto = O Reinado do Vento
Acordamos, 7:30 hs da manha, um pouco tarde, dado os objetivos do dia: atravessarmos 4 aduanas e atravessarmos o estreito de Magalhaes. 4 aduanas, pois para chegarmos a Terra do Fogo temos que sair da argentina (primeira), entrarmos no Chile (segunda), em San Sebastian sairmos do Chile (terceira) e logo depois novamente entrarmos na Argentina (quarta). Além disto temos que atravessar o estreito de Magalhaes com um Ferry (balsa) e após enfretarmos 140 kiliometros de rípio. O dia prometia. Logo na saída de Rio Gallegos, pegando a Ruta 3 o vento, que nesta regiao é o grande Rei, já comecou a mostrar que acordou de mau humor. Nao tem aqui nesta regiao quem mande mais do que o vento. É ele o senhor de tudo e de todos por aqui. Logo na saída de Rio Gallegos um pequena desviada da Ruta (4 kilometros aproximadamente) para vermos a Laguna Azul, um vulcao, no meio destas planices já desativado, que no seu miolo formou uma linda lagoa azul esverdeada. Valeu a parada. Lá em cima (nao é muito alto, embora no seu interior a altura chegue a 70 metros) a forca do vento nos desequilibrava. Tiramos algumas fotos e continuamos a viagem. Primeira Aduana lotada de gente. Os tramites de saida de um pais sao mais rápidos, embora pela quantidade de pessoas fez que com se alongasse. O vento já demonstrando sua forca e aumentando a medida que o dia avancava. Lá encontramos os Paulistas motociclistas que conhecemos no dia anterior. Já estavam finalizando. Boa vantagem em relacao a nós, que mal iniciavámos a papelada. Lá também conhecemos rápidamente um casal de mexicanos de motocicleta, que já viaja a 4 meses e estao vindo da cidade do México. Isto sim que é aventura (um dia também faremos uma parecida até o Alasca). Na Aduana Chilena, a mesma coisa: muita gente, muito vento e muita demora. Enfim estávamos preparados e com o saco de paciencia cheio. Sabíamos por outros relatos que nas fronteiras o processo é moroso e precisamos ter paciencia. Um absurdo para um bloco economico que se diz integrado. Mais absurdo ainda para esta regiao, cujo pais da Argentina é separado pelo chile e os moradores da Terra do Fogo para acessarem o restante do pais precisam passar por estas quatro fronteiras. Realmente uma falta de inteligencia. Terminada a papelada, sempre tarefa da Adelaide que tem mais paciencia e é sempre cordial e simpática com todos (Eu já tenho e uma certa dificuldade de aceitar esta morosidade toda e prefiro, portanto nao atrapalhar). Seguimos viagem agora já no Chile pela Ruta 9. Bom pessoal, já falei muito do vento, que ele é forte, que nao havia ainda visto, que isto, que aquilo. Mas a apartir deste trecho, sem dúvida tudo que o que já havia passado em relacao a forca dos ventos esquecam e multipliquem por sei lá quantas vezes. Muito, mas muito vento. Muito e muito forte. O vento aje de forma constante, fazendo com que tenhamos que andar nao mais que 60 em na melhor das hipóteses a 80 km por hora em uma inclinacao que beira os 45 graus, sempre. Tensao absoluta e constante. Para piorar, o safado, volta em meia dá umas chicotadas para nos desequilibrar. Parece que entramos em uma centrífuga. Também insiste em nos jogar para fora da estrada ou contra a pista contrária, contra os veículos em sentido contrário. É uma forca incrivel e constante, que me parece, estava neste dia mais mal humorado. Após 30 km visualizamos pela primeira vez o estreito de Magalhaes, descoberto pelo navegador portugues Fernao de Magalhaes em 1536. Esta era sua intencao: descobrir uma alternativa para chegar ao pacífico. Sua aventura foi contada por Pingafetta (italiano) e nos dá uma nocao de como era esta terra quando magalhaes aqui aportou. Esta viagem, onde se descobriu o estreito, é a primeira viagem de circunavegacao ao redor do mundo. Uma grande aventura, que vale a pena ser lida e estudada. Chegando no Estreito em Punta Delgada, a Adelaide saiu da moto para procurar informacao do funcionamento, afinal, nunca tinhamos estado ali. Onde comprarmos as passagens, como fazer, enfim... Enquanto a Adelaide vai atrás destas informacoes, eu saí da moto e ao sair, fico por um segundo de costas para ela e buum: a moto foi derrubada pelo vento, imaginem voces, contra o sua alavanca de apoio. Resultado. Metade do manete de embreagem quebrado (sorte, pois se quebrasse todo o manete teria dificuldades, pois antes de substituí-lo nao teria como continuar = aqui um aprendizado que negligenciei = levar manetes reservas. Nao havia levado = quem fará este tipo de viagem precisa levar, pois situacoes como esta podem acontecer enao sao tao incomuns). Erguemos com a ajuda de uma pessoa, com muita dificuldade a moto, e recuperado do susto procurei um local, mais abrigado (o que é dificil nesta regiao descampada) para protegermo-nos do vento. Consegui ao lado da parede de um pequeno restaurante onde um caminhao já estava estacionado: protegeu bem e nos deu maior tranquilidade. Foi difícil a partir daí nos desgrudarmos da moto. Ou eu ou a Adelaide sempre de prontidao para segurá-la em caso de tentativa de derrubada por parte do vento (este safado...). Fui ver a situacao do canal. lá longe via os Ferry com muita dificuldade tentando atravessá-lo. Mas a visao era assustadora. Ondas enormes, criadas pela ventania, fazia a aguá respingar para todo lado. Visao preocupante. Pensei: será normal esta situacao? Vai ver é e o pessoal daqui já se acostumou. Enfim. Quando os Ferry chegaram observei o desembarque dos veículos. De arrepiar a espinha. A barca jogando de um lado a outro e os carros tentando descer. No final um onibus e um carro estao para descer e na hora que o carro comeca a descida a barca se despreende da rampa. Horrível. Pensei que ali se daria um sério acidente, pois cair naquele canal turbulento e gelado é morte certa. A barca com muita dificuldade depois de arrastada para longe consegue novamente atracar na rampa e entao os manobradores pedem para de forma muito rápida que o carro e o onibus descam. Bom fiquei pensando, como seria para mim subir na barca nestas condicoes. Logo recebemos o comunicado que as travessias estavam suspensas pela marinha, que é o órgao que controla e nos informaram, vejam só, que os ventos chegavam a 120 km/h. É vento a dar com pau. Para terem idéia. mal conseguiamos nos movimentar. Resumo da ópera: Esperamos das 14:00 hs as 20:00, até o tempo acalmar. Recebemos com tranquilidade a adversidade, pois certamente o quarto membro da equipe providenciou a suspensao da travessia por algum motivo, mas com certeza, vizando nossa seguranca, pois se atravessassemos teríamos que enfrentar o rípio com este vento. Ficamos sabendo mais tarde que os amigos de santa catarina que encontramos em Punta Tombo, que haviam conseguido atravessar cairam no rípio, tal a forca do vento. Atravessamos, já com o vento bem mais calmo e paramos em Cerro Sombrero. A intencao era abastecer e resolver se seguíriamos viagem por mais 140 km de rípio. Adivinhem se o posto de cerro sombrero nao estava fechado. Com a mais absoluta certeza. Resolvemos ficar em uma hosteria. Mais um casal, ele fraces, ela Ucraniana, também de moto (estao na estrada a 5 meses e inciaram sua viagem no Canadá), que nos fizeram companhia no estreito também por lá ficaram. Dia movimentado, mas estávamos mesmo assim felizes. Faltava apenas um dia para chegarmos a terra do fim do mundo. Havia ainda o rípio, mas esta é outra história.
P.S: desculpem eventuais erros ortográficos: sao decorrentes da pressa e da dificuldade com os teclados daqui. Importante que entandam o sentido e o teor dos relatos.
P.S 2: Continuem nos acompanhando. Assim que conseguirmos uma internet com mairo velocidade postaremos as fotos. Sao interessantíssimas.
7° dia - 28/12/08 - Diário do Piloto = O monumento a "Facon Grande".
Acordamos cedo, fizemos o desyuno (cafe da manha), que diga-se de passagem, quem vier para estas bandas nao crie expectativas = e muito ruim. As pessoas acostumadas com os cafes de qualquer hotel mais ou menos no Brasil, com frutas e uma variedade interessante de opcoes, deve se preparar para encontrar aqui somente alguns paes torrados, potezinhos de geleia e manteiga, cafe com leite e bom apetite. Enfim, é o sistema e a cultura deles aqui. Pegamos a estrada em direcao a Caleta Olivia. Sao 60 km que costeam o atlantico. Muito lindo. A ruta 3 vai margeando as falésias e o visual é fantástico, tendo por companhia os descampados patagonicos. A propósito da Patagonia, vale algumas iunfiormacoes. Geograficamente a Patagonia apresenta duas áreas bastante distintas: a Patagonia Atlantica e a Patagonia Andina. A Patagonia Atlantica pode ser subdividida em outras duas: continental e litoranea. A primeira caracteriza-se por uma área de vegetacao rasteira, desértica, com uma imagem desoladora, sem nada, deserta, plana, mas ao mesmo tempo fascinante. A ruta 3 segue nela por kilometros no meio do mais absoluta ausencia do ser humano. Mas, como disse é fascinante, gigante. Interessante ver como seres vivos vivem nesta regiao inóspita. A porcao litoranea da patagonia é riquissima em fauna, como pinguins, baleias, leoes e lobos marinhos, sendo considerada uma das maiores concentracoes de animais marinhos do planeta. Ja a Patagonia Andina, trajeto de nosso retorno (onde passaremos pela Parque Torres del Paine, Glaciar Perito Moreno e regiao dos lagos argentinos e lagos e vulcoes chilenos) é outro cenário completamente diferente. Dominada pela cordilheira dos Andes, o cenário apresenta mentanhas com picos eternamente nevados, regioes florestais, geleiras e lagos que parecem formar telas de pintura. Estamos agora passando pela patagonia Continental e eventualmente pela patagonia litoranea. O Trecho que iniciamos neste dia é o mais longo de toda a viagem, pois queremos alcancar Rio Gallegos a última cidade antes da travessia a grande ilha da Terra do Fogo. No dia anterior ao chegarmos em Comodoro, já necessitamos sacar a forracoes de nossas roupas. Hoje nao pudemos iniciar a viagem sem estarmos muito bem agasalhados. A partir de Comodoro a frio passou a nos acompanhar. Necessário também foi paradas em todos os poucos postos de abastecimento, uma vez que a autonomia de uma motocicletaé muito baixa (para nós com vento no máximo 250 km). Para prevenir, levamos 5 litros de gasolina em uma galao. No decorrer da viagem, que embora longo, foi muito gostosa, o vento passou a ganhar forca. Aqui o vento, a medida que o calor amumenta, também sobe de intensidade. Próximo de Rio Gallegos, passou a soprar com mais intensidade. O vento por estas bandas é o grande adversário dos motociclistas. Conforme sua intensidade, joga a moto de um lado ao outro, e precisamos de muitíssima atencao para nao nos perdermos, ou caindo na pista contrária ou indo para o acostamento. Finalmente chegamos a Rio Gallegos com o ponteiro da reserva buscando combustível nao sei onde. Iniciamos a procura de hotel. Encontramos o Covadonga, antigo, mas o atendimento muito bom e quartos embora simples, limpos, aquecidos em com banhos quentes. Jantamos em um café e fomos descansar, pois no dia seguinte, a trvessia e um longo trecho de rípio nos aguardava. Fui dormir muito preocupado, pois o rípio, com o vento sao ingredientes explosivos para motociclistas. Para finalizar andamos neste dia, 780 km. O trecho inicial na minha opiniao nos apresentou a regiao mais inóspita e desértica da Patagonia. Ao nos aproximarmos de Rio Gallegos inicia-se uma nova mudanca de paisagens com o verde e algumas flores no acostamento comecando a aparecer. Muito bacana. Importante dizer que notei distincoes de clima, temperatura, geografia e visual muito definidas no caminho. Também no caminho nao pude deixar de dar uma parada e fotogradar uma pequena estátua a um líder de trabalhadores rurais da regiao (chamado Facon Grande), colocada na rótula de acesso a pequena cidade de Jaramillo (também dá acesso ao Porto Deseado). Fiz questao de fotograr junto a ele pelo seguinte: Nos preparativos da viagem, em determinado dia, percorri toda a Ruta 03 pelo Google Earth e vários dos locais que hoje estamos passando visualizei no google. Este me chamou atencao: estava muito nítido e as fotografias que o acompanhavam dava uma nocao da regiao. Fiquei com esta imagem, com esta rótula na cabeca (nao gravei a cidade, ams fiquei pensando por diversas vezes se já havia ou nao passado por ela). Na época ficava pensando o quanto longe estava este local e o quanto diferente era. E agora estava ali. Nao pude deixar, emocionado de fotografar este monumento. Estava ali, no local que meses antes estive de forma virtual. Muito interessante e louco este mundo. Foi um momento bacana de nosso trajeto.
6° dia - 27/12/08 - Diario do Piloto = Punta Tombo a cidade dos Pinguins
Instalados em Puerto Madry, na hosteria El Refugio, apos uma "chorada" da Adelaide por desconto (esta ficando boa nisto), conversei com a proprietaria sobre a Peninsula Valdez, principalmente quanto a valer a pena a ida ate la. Ela me respondeu o seguinte: O passeio para Peninsula Valdez vale sempre a pena, a grande atracao sao as baleias, porem a temporada para visualiza-las termina em Novembro. Fora isto, se quiserem ver Pinguis, Punta Tombo ainda e melhor opcao, pois ha uma maior aglomeracao desta ave. Pensando na relacao custo beneficio (deslocamento x atracoes a serem vistas, alias, os passeios para visulizar as baleias custam em torno de $ 150,00, sem a garantia de ve-las, justamente por nao mais ser temporada), opotamos por nao ir. Teriamos que andar mais de 200 kilometros no Ripio, e ainda pelo nosso cronograma alcancar neste dia a cidade de Caleta Oliva ou no minimo Comodoro Rivadavia. Optamos por visitar a Reserva Natural Punta Tombo. Punta Tombo e a maior colonia continental de pinguins de todo o mundo, chegando a abrigar mais de 200 mil desta ave. No seu calendario no mes de setembro os bichinhos invadem a regiao para fazer seus ninhos. Em outubro as femeas chocam seus ovos e em novembro nascem os filhotes, que trocam de plumagem em marco. Em Abril tendo completado seu ciclo todos deixam a costa. Punta Tombo possui 240 hectares de area. Alem destes predicados, e alem do fato de ja termos vistos uma colonia de lobos marinhos em La loberia, Punta Tombo ficava no caminho, diferente de Peninsula Valdez, onde teriamos que retornar, e certamente nao avancariamos no nosso roteiro (peninsula ficara para uma proxima. Ja temos motivos para voltar). Saimos de Puerto Madri em direcao a Trelew e apos, seguindo pela ruta 3, 80 km depois uma rotatoria indicava a entrada para Punta Tombo. Os primeiros 20 km dos mais novo e bom asfalto, porem os 20 km finais do temido Ripio. Vamos entao a apresentacao deste tal de Ripio. Os motociclistas que ja andaram por estas bandas sabem do que estou falando, porem para os demais, assim como eu ate este dia nao tinha ideia do que significava o ripio. Nas minhas leituras sobre outras viagens por estas bandas (Chardo, Rauen, Cicero Paes e Catania) todos alertavam sobre o perigo do ripio, mas eu nao conseguia imagina-lo. Como pode uma estrada de chao batido ser assim tao perigosa. Ate o dia que fui apresentado a ele. E posso dizer que a antipatia foi mutua. Eu nao gostei do ripio e o ripio parece que nao gostou de mim, mas resolvemos tolerar a nossa convivencia. O Ripio e uma estrada de chao batido coberta de um cascalho, que no caso do acesso a Punta Tombo, e extremamente solto. Pedras aredondadas, fazem a moto dancar. A atencao e a tensao e total no caminho de ripio. A solucao e andar na trilha feita pelos pneus dos automoveis, porem em diversas ocasioes voce e obrigado a atravessar estas trilhas, ai, meu amigo, muita firmeza e destreza para nao ir ao chao. Eu, como respeitador e com a maior de todas as minhas preocupacoes, qual seja, a integridade fisica da garupa, nao dei chance para o azar. Adotei a maxima, devar e sempre e mostrando para Catarina que quem mandava ali era eu, ou seja, umas reduzidas, volta e meia para lembra-la que eu estava no comando. Chegamos a Punta Tombo e fomos entao ver os famosos pinguins de magalhaes. Logo no comeco de nossa trilha dois guanacos (me esqueci de dizer que no dia anterior vimos pela primeira vez um guanaco) cruzaram correndo pela nossa frente, quase me atropelando. A Adelaide nao viu, pois foi buscar nao lembro o que na moto. Os guanacos sao animais tipicos da regiao, parecidos com Lhamas (na verdade parecem uma cruza de canguru, veado e camelo), animais interessantissimos (apos visualizarmos os primeiros, no decorrer da viagem varios outros foram vistos). Vivem soltos, e confesso que nao entendo como sobrevivem nesta regiao inospita da patagonia. Volta e meia dao grandes saltos nas cercas da beira da estrada. Seguindo a trilha do parque, nem 20 passos dados, ja vimos o primeiro pinguim. A Adelaide comecou entao a fotografar todos que via. Disse a ela que ela ainda veria muitos pinguins. E assim ocorreu, na medida que avancavamos, muitos e muitos pinguins com seus filhotes, ficavam parados, como se fizessem pose para fotografia. Com seus ninhos embaixo dos arbustos tipicos da Patagonia, ficavam parados tomando banho de sol com suas crias ao lado. Milhares. Punta Tombo realmente vale a a visita. E um santuario. Lindo. Fotrografia alguma podera descrever o que significa este paraiso. Valeu a visita e recomendamos. Enfim trocamos o roteiro inical de visita a Penisula Valdez por Punta Tombo (esta ultima nao programada). La no parque encontramos um grupo de motociclistas de Santa Catarina. Logo nos enturmamos. Gente fina, que tambem, com suas XT 600 estavam indo para Ushuaia. Trocamos adesivos e coinsidentemente conseguimos juntos seguir viagem ate Comodoro Rivadavia (nao conseguimos chegar em Caleta Olivia). Chegando em Comodoro tivemos que sacar os foros de nossas roupas de cordura, em funcao do frio (a partir dai ate Ushuaia nao pudemos mais deixar de colocar as forracoes e muita roupa, pois o frio somente se intensificou). De Punta Tombo ate Comodoro fomos apresentados ao Vento patagonico. Muito vento e forte vento. Nao e por menos que esta regiao e inospita. Nao ha muita chance de uma maior vegetacao crescer nesta regiao em funcao do vento. Um absurdo. Tambem o vento somente sentido para saber o que siginifica. Os relatos nao conseguem dar a dimensao de sua forca. chegamos em Comodoro e procuramos um hotel. Todos caros (um absurdo). Ja era noite e por sorte um motociclista nos viu e nos guiou a uma boa opcao (se falarmos dos padroes de Comodoro Rivadavia). Comodoro tambem e uma cidade interessante, pois ao chegarmos nos deparamos, imaginem, com uma cadeia de montanhas. Ate ali somente um grande planice de arbustos. E em Comodoro morros e montanhas. Especialmente na cidade montanhas amarelas (parece areia) sem qulaquer vegetacao. Comodoro e considerada a capital do petroleo na argentina. Interessante a cidade de Comodoro, pena, nao termos tido tempo de explora-la melhor. No hotel, jantamos e desmaiamos cansados do dia cheio que tivemos. O maior fator de cansaco fisico foi pilotar no vento.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Amanha estaremos alcançando finalmente o Estreito de Magalhaes. Nao dormirei esta noite. Após teremos que enfrentar um longo trecho de rípio. Estou preocupado. Atualizarei o 6º, 7º e 8º dia (o 8ª será amanha = espero nao ter histório de tombo no rípio para contar. E se tiver, que nao seja grave) de Ushuaia (Vamos tentar chegar ainda amanha. Nao tenho certeza que conseguiremos) Abracao e continuem acompanhando e postando seus comentários no blog. Nós estamos adorando sua companhia. A propósito, já temos muita história para contar destes dias.
Fotos do 1º, 2º, 3º e 4° dias de viagem.
domingo, 28 de dezembro de 2008
5º dia - 26/12/08 - Diário do piloto
Pessoal, finalmente consegui tempo e um local para colocar em dia o relato do 5º dia da viagem. Peço desculpas pelo atraso. Sei que é chato acessar o blog e nao ver novidades. Devo três dias de relato e temos muito coisa para contar. Vamos lá entao: Já estamos em Rio Gallegos, última cidade antes de Ushuaia, nosso objetivo. O pior parece que ainda estar por vir antes deste objetivo, pois teremos que enfrentar mais ou menos 100 km de rípio, de um total de 600 km até Ushuaia. Rípio para quem nao sabe é a estrada de chao do interior da Argentina, principalmente da regiao Patagônica, porém é formada por um Cascalho redondo e altamente escorregadio = para mim e para maioria dos motociclistas é um terror. Já pegamos rípio (no relato do 6º dia eu conto como foi). Bom mas vamos ao relato do quinto dia da viagem. Saímos do Balneário Las Grutas, cedinho, após tomarmos um café da manha em uma confeitaria (aqui nao é comum o pao como café mas sim crossaint e outros doces, recheados com doce de leite, doce de baunilha ou goiabada). Precisaríamos fazer a revisao da Catarina (dos 3.00 km) e a mecânica autorizada Honda ficava em Trelew. Marcamos por telefone ainda em Las Grutas a revisao e nos mandamos para Trelew. Ocorre que aqui na Argentina existe a tal da ciesta, potanto todo o comércio fecha as 12:30 e reabre pelas 15:30 ou 16:00, funcionando entao até 20:00 hs ou mais, pois nesta regiao o sol se poe pela 21:00 horas (os dias sao mais longos). Chegamos em Trelew, almoçamos, após aproveitei e consegui atualizar o 4º dia da viagem e levamos a Catarina na revisao. Embora concessionária Honda, nao espere muita coisa nao. Enfim, o básico foi feito (até regulagem de uma das válvulas deu para fazer). Neste meio tempo, entre 15:30 e 19:30 horas (tempo destinado para revisao) o que fazer? Caminhamos umas dez quadras com as roupas de cordura e segunda pele abaixo de um calor de mais de 35 Cº (lembrem, estamos em uma regiao desértica, onde o calor nesta época é considerável, porém há um vento para amenizar) até a secretaria do turismo que possui um serviço de informacoes. Lá buscamos informaçoes sobre pacotes para Península Valdez, Punta Tombo e valores de hotéis. Também lá nos informaram sobre um Museu Paleontológico (já havia lido sobre ele) com uma colecao significativa de fósseis pré-históricos. Fomos visitá-lo. Valeu a pena. Transformamos uma tarde que poderia ser desperdiçada, em um agradável passeio. Realmente merecem parabêns os responsáveis pelo museu. Lá encontramos uma bela colecao de fósseis de dinossauros que habitaram a Patagônia e regiao, inclusive alguns encontrados no RGS. Fiquei muito impressionado com o que vi. Fiz um exercíco de imaginar como seriam estes gigantes, e como nós nos portaríamos frente a eles. Fabuloso. Na entrada das salas de exibiçoes há um fóssil (provavelmente um fêmur de um gigante dinossauro) que podemos tocar. A placa diz o seguinte: Você está tocando em um objeto que possui 130 milhoes de anos. Que loucura!!! Parem para pensar: a 130 milhoes de anos uma criatura, nasceu, viveu, morreu e de alguma forma seus ossos foram conservados, e 130 milhoes, repito, milhoes, de anos depois foi localizada e hoje é tocada por mim, pela Adelaide e poderá ser tocada por você: loucura. Parece bobagem, mas refletir sobre isto foi uma viagem. Terminada o agradável e instrutivo passeio, pegamos a Catarina, zerada novamente (até banho tomou) e rumamos novamente para Puerto Madry, pois a intencao no dia seguinte era a de irmos visitar a Península Valdez. Chegando em Puerto Madry, colocamos em prática nosso já conhecido itinerário: a busca da opçao mais em conta de hospedagem (levando em conta alguns pré-requisitos, entre eles o de possuir garagem e também, é claro, analisando a relaçao custo benefício). Nesta procura uma trapalhada deste motociclista inexperiente. Apesar do vexame vou contar: Ao sair de um dos hotéis que pesquisávamos bati o arranque na moto e nada, nao ligava. Puxa Vida, era só o que faltava. Escuro já, sem pouso e nos confins da Argentina. O que fazer ? Será que era gasolina? Está certo que a reserva foi consumida, mas a impressao que tinha era a de que ainda tinha gasolina para um bom pedaço de chao? Bom, fui atrás de gasolina no posto mais próximo. Mas o pensamento também estava na revisao. Será que o mecânico nao fizera nenhuma bobagem? Abastecido o tanque bati o arranque novamente e nada. PQP #@#~€@@ (impublicável). Até que a Adelaide resolve perguntar se o botao corta corrente nao estava apertado. Eu evidentemente , irritado que estava disse para ela que nao, hora. Básico. Porque o corta corrente estaria desligado? eu nao o desligara. Via das dúvidas apertei o botao. E Bati o arranque novamente. Nao é que deu certo. Sob os risos de alguns argentinos que nos observavam, principalente em funcao do olhar de fuzilamento da Adelaide resolvemos o problema. Nao adianta agora desculpas, mas a verdade que aquele famigerado botao estava meio apertado. Bom meio apertado é o mesmo que quase, e quase nao é nada. Ficou como mais uma história para no futuro darmos boas gargalhadas. Resolvido o problema e recuperado do vexame encontramos um hostel mais ou menos em conta. Bom, agora respondo ao Joao Serra sobre a questao preços na Argentina: Meu amigo, estou achando as coisas caras: está mais caro que o orçamento que planejamos. O negócio é chegar cedo nas cidades e pesquisar. A chorada também vale. A alimentaçao é absurdamente cara (na minha opiniao). A sugestao é pedir um Milanesa com papas, por exemplo (Dá para dois). Outra sugestao é comprar frutas, biscoitos em algum super-mercado e no decorrer da viagem ir parando e os lanchando. Em Comodoro Rivadávia é complicado. Se puderes vá adiante em Caleta Olivia, mas procure. E também o nível de exigência deve diminuir e a tolerância aumentar. Para que tenhas idéia: Segundo dia em Canuelas $ 80,00 (chorado $ 10,00 de desconto). Terceiro dia em Bahia Blanca $ 150,00 (Nesta cidade olhamos todos os hotéis). Terceiro dia em Las Grutas demos a sorte de um dono do hotel perceber que estavamos em busca do bom e barato e seu hotel estava fora dos padroes, acabou nos oferecendo um quarto ao lado de sua casa: o preço $ 100,00 (fora isso o mais barato era por $ 150,00). No quarto dia em Madry $ 100,00 (A Adelaide consegui $ 30,00 de desconto, do contrário pagaríamos $ 130,00). No quinto dia em Comodoro, um absurdo: o mais barato $ 225,00. Aqui em Galegos, conseguimos uma boa opçao por $ 150,00. Alimentaçao: Se fizeres como falei: uma milaneza com papas para dois gastarás $ 30,00. Cuidado com o café: caríssimo: uma xicará $ 6,00. OK Serra, o que mais puder auxiliar, manda ver que tento responder. Bom pessoal. de Ushuai atualizarei o 6º, 7º e 8º dia = nao deixem de acompanhar. Até mais.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
4º dia - 25/12/08 - Diário do Piloto
Só estamos hoje relatando o quarto dia de viajem, pois ontem o cansaço nos derrubou. Saímos de Bahia Blanca pelas 7:15 hs da manha e fomos em direçao a Carmem de Patagones e Viedma. A idéia era almoçarmos em Viedma e dar uma esticada até a Loberia, uma estaçao ecológica de lobos marinhos. Entre ir e voltar esta esticada representaria 130 km. No Caminho a Viedma, ao atravessarmos o Rio Colorado, uma placa: Voce esta entrando na Patagonia. Evidentemente que paramos para o registro do momento em foto. Em Viedma, almoçamos em um posto BR (olha o Brasil marcando presença) e nos deslocamos para Loberia. Antes um passeio pela cidade, que margeia o Rio Negro. Aliás a cidade, capital da provicia de Rio Negro é muito bonita. É muito arborizada, no meio já de uma regiao árida, pois a aridez da patagonia ja se fazia presente. As margens do Rio negro a municipalidade arborizou e construi um passeio. Maravilhoso. A cidade ali se reune para caminhar, tomar mate e conversar. Vale a pena. Um oásis no deserto. Dali fomos para Loberia. Logo que chegamos o impacto da beleza do local. Falésias (precipícios de 50, 60 metros) na margem do atlántico. Na parte superior um estrada asfaltada (estreitinha), margeando as falécias. Imagine a seguinte cena: o mar com quatro tonalidades do azul escuro ao verde Claro, fazendo fundo. Um pequeno farol (antigo) pintado de branco e dos dois lados da estrada as flores amarelas no verde permeado por arbustros marrons, alaranjados. E no céu papagaios patagonicos sobrevoando. Um paraíso. Na Loberia um mirador nos permitia ver uma imagem verdadeiramente impressionante: Centenas, talvez milhares de lobos marinhos deitados sobre rochas no sopé do precipício. Mesmo a 50 metros de altura conseguíamos escutar seus resmungos. Muito lindo. Valeu realmente a pena a esticada. Recomendamos. Se vieres até aqui nao deixe de visitar a Loberia. De Viedma rumamos até o nosso próximo destino, Balneário Las Grutas, o principal balneário da província de Rio Negro. Tem este nome porque está também as margens de uma falésia com várias grutas. Muito movimentado. Consegui ainda, já 20:30 hs tomar um banho no atlântico argentino. Água fria. Compararei depois com as águas do pacífico no retorno da viagem. Em Las Grutas a Adelaide conseguiu uma hospedagem boa e barata. Jantamos Waffles e a intençao era ainda atualizar o blog, mas caímos na cama e nao teve jeito. Andamos até o momento 2.475.5 km (estamos praticamente na metade da viagem). Na Ruta 3 já rodamos 1.106,6 km. A paisagem já é deserta. A Patagônia realmente impressiona. Imensidao de uma paisagem árida onde o vento é uma constante. Estamos agora em Trelew, pois a Catarina precisa ir no salao de beleza (oficina) fazer a revisao dos 3.000 km. Em Ushuaia estaremos fazendo a revisao do 6.000 km (puxa vida). Avançamos mais a cada dia. Cada dia mais próximo de nosso objetivo. Amanha visitaremos a peninsula Valdez (obrigado Roberto pela dica = pegaremos um servico de turismo). Estamos contentes com o acompanhamento de nossos familiares e amigos pelo blog. Cada postagem nos deixa super felizes. Até a próxima pessoal. Talvez já com fotos. Agora temos que ir pois a Catarina tem hora no instituto. Abraçao e até a próxima.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
3º dia - 24/12/08 - Diário do Piloto
Iniciamos hoje o percurso na Ruta 03. Nela fizemos amizade com motociclistas italianos, entre eles o casal Karine e Daniele, ela brasileira do Rio, morando na Itália e ele empresário italiano e mais uma turma de motociclistas. Mandaram vir as motos da itália e iniciaram hoje à partir de Buenos Aires sua viagem a Ushuaia. Todas BMWs com mais de 1000 cilindradas. Nos cruzaram várias vezes. Muito bacana ver aquelas motos nos passando. Foi um dia legal. Já comecamos a notar a mudanca de paisagem. No inicio muita agricultura, campos de girassois e de pastagem para feno. Grandes e bonitas fazendas. A paisagem deslumbrante. No final os campos já ficando mais ralos. Tivemos também um aperitivo do que será o temido vento patagonico, que desce direto da cordilheira, que ocorreu ao passarmos ao lado de uma tempestade. Nesta hora o bicho pegou: chuva e vento de fazer a moto andar de lado, empurrando para a pista contrária. Se este foi o aperitivo, o que nos espera nao será fácil. Mas se fosse fácil nao viríamos. Chegamos em Bahia Blanca, uma cidade muito feia, horrível, e nos instalamos, após intensa pesquisa de precos, em um bom hotel, afinal é véspera de natal e merecemos. Fomos atras do jantar e adivinhem se encontramos algum restaurante ou lancheria abertos. Nada. Sobrou uma loja de conveniencia em um posto de abastecimento. Foi legal, diferente nossa ceia de natal. Valeu, afinal a felicidade está no inusitado. Na ceia conhecemos os Catarinenses de Florianópolis, que também viajam para Ushuaia, Aline e José, que estao de carro. Tanto os italianos, como o casal catarinense encontraremos, com certeza diversas vezes no caminho. Bom pessoal, estamos cansados, vamos agora nos recolher, renovando nossos votos de um feliz natal a todos. Beijo para nossos familiares e amigos que agora estao curtindo uma ceia de natal. Estamos com voces em pensamento. E Felizes. Até a próxima, já relatando sobre as impressoes da Patagonia.
P.S: a nossa intencao era hoje já postar algumas fotos, mas ainda nao foi possivel
P.S 2: a partir de amanha a viagem se tornara mais interessante, pois entraremos na Patagonia e na penisnula Valdez, com uma fauna marítima diversificada.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
2ª dia - 23/12/08 - Diário do Piloto
O dia foi movimentado. Partimos de Tacuarembó as 8:17 hs. Depois de 240 km cruzando o Uruguai até Paysandu, chegamos a fronteira, na ponte Internacional Gen. Oribe. Uma fila enorme que simplesmente nao andava. Fui avançando por entre os carros até onde deu. Nesta de dar uma de "cara de pau", ganhei no mínimo 1 hora. Mesmo assim perdemos em torno de 30 minutos com os trâmites. Finalmente entramos na Argentina abaixo de muita chuva. Ao entrar na Argentina o transito se intensificou. Meu temor era o de encontrar a temida e corrupta policia camineira da província de Entre Rios, terror do motoviajantes, porém uma coisa estava me chamando a atençao: a cada tantos kilometros, barreiras da guarda nacional ???. Comentei com Adelaide o quanto estava achando isto estranho. Almoçamos em Galeiguaychu, e pudemos constatar a mudança dos patamares de valores da alimentaçao. Enquanto no Uruguai a comida é muito em conta, na Argentina custam os olhos da cara. Enfim, almoçamos, afixamos o adesivo no paradouro e seguimos viagem. Nem 5 km percorridos encontramos a explicaçao para tanta barreira da guarda (exército) nacional: um protesto de produtores rurais que programaram um dia de mobilizaçao e a poucos minutos haviam trancado a rodovia. A previsao nao era boa, pois o que se comentava é que nao liberariam a rodovia tao cedo. Agora nao tinhamos mais chuva e sim muito sol. Sol de derreter, cozinhar dentro das roupas de cordura. Nós ali tomando aquela lua. Eu tentava pensar uma soluçao. Até pensei em tentar furar a barreira, quem sabe passando pelo acostamento, onde haviam poucos manifestantes. Porém seria muito arriscado = melhor nao (Tá certo querer e gostar de emoçoes fortes, mas para tanto também nao). Até que um caminhoneiro viu que estávamos de moto e comentou que existia paralelamente a rodovia um caminho de terra que poderíamos passar. Nao pensei duas vezes. Montamos a Catarina e fomos pela caminho sugerido. Mais ou menos 10 kilometros de estrada de chao. O problema é que em sentido contrário muitos veículos também estavam desviando. Comemos alguma (muita) poeira. A moto, os equipamentos, as roupas, e nós cobertos de poeiras, mas livres para continuar a viagem. A minha intençao, como comentei ontem, era avançar além da cidade de Canuelas, nossa previsao inicial de pouso, mas com os atrasos na aduana e com a barreira dos produtores, conseguimos as 19:00 hs chegar finalmente em Canuelas. Estes eventos atrasaram uma barbaridade o desempenho da viagem. Em Canuelas, achamos um hotel razoável (mais para ruim do que para bom) e resolvi dar uma geral na Catarina. Merecia um bom banho e um lubrificada nas correias. Ficou nova. Hoje andamos 640 kilometros, com muito transito, pegamos chuva, calor e em alguns trechos ventos fortíssimos. Canuelas, conhecida, como capital nacional do dece de leite, é uma cidade com 55.000 habitantes, muito bonita, ajeitada e bem movimentada, com vida noturna, barzinhos na calçada, muito comércio, bem arborizada, limpa e organizada, enfim, uma boa cidade, privilegiada pela sua localizaçao, pois é próxima a Buenos Aires distante 60 km. A Adelaide ainda nao se animou a postar algum relato, pudera, um dia como o de hoje deixou ela cansadíssima. Mandou avisar que estará logo postando seu diário, com sua impressao da viagem. Eu, nao preciso dizer, estou adorando. É bom demais viajar, conhecer lugares novos e diferentes, enfrentar a adversidade e ir avançando. E é bom lembrar que mal começamos. Agradeço os comentários postados. Fiquei feliz em le-los. Continuem acompanhando a viagem. Para nós esta companhia é muito importante. Até o próximo encontro, já na porta de entrada da Patagonia, Bahia Blanca. A partir de lá a paisagem muda completamente.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
1º dia - 22/12/08 - Diário do Piloto
Saímos às 6:45h da manhã (aqui no Uruguai não se usa o acento til e outros acentos = pedimos desculpas), com praticamente uma hora e quinze de atraso. Primeira parada em Cachoeira do Sul, no posto Papagaio, para um café e abastecimento da Catarina. Lá foi necessário, apesar do calor, vestirmos a calça segunda pele, em função do suor que nos castigava. Este vestuário absorve o suor e o expele para fora, causando um maior conforto para os motociclistas. Seguindo viagem paramos em Rosário do Sul, onde abastecemos e almoçamos. Em Rosário conhecemos o Sr. Roberto e sua esposa, também motociclistas que vieram conversar conosco. Experientes já foram para Ushuaia e região dos lagos com sua XT 600. Foi ótimo conhece-los. Isto é que fascina neste mundo do motociclismo: é uma grande comunidade onde todos se identificam e se predispõe a auxiliar no que for preciso. A conversa rola leve e solta quando motociclistas viajantes se encontram. Também em Rosário um pequeno incidente = Caímos de moto. Nada grave, sem aranhão algum tanto em nós como na Catarina. Estava saindo do posto e era necessário subir uma pequena lomba, quando um carro cruzou a estrada e para não bater parei e perdi a velocidade, ato contínuo, já era, quem disse que eu poderia segurar a gigante Catarina carregada. Sem chance, a Catarina foi para o chão, eu pulei e a Adelaide conseguiu parar de pé, com a moto entre as pernas. Mas como dizem, quem é motociclista, ou já caiu de moto ou vai cair. Hoje foi a nossa vez = faz parte da aventura. Para ergue-la, somente com ajuda. Em Santana do Livramento resolvemos fazer a revisão dos mil quilômetros. Poder fazer a revisão ainda no Brasil, tirou um peso de preocupação da minha cabeça. Merece registro o excelente atendimento da revenda Honda de Santana do Livramento, não só priorizaram a revisão da Catarina, como não mediram esforços para terminar o serviço no menor espaço de tempo possível = recomendo para os motoviajantes. Agora, revisão só nos 3.000 km, provavelmente em Comodoro Rivadávia. Lá em Livramento aproveitei também para passar a máquina zero no meu cabelo. Estou carequinha, o que para mim se torna uma praticidade e tanto, não precisando mais me preocupar em pentear o cabelo. Gostei do novo visual. De Rivera, vencidos os trâmites legais, rumamos para Tacuarembó no Uruguai. Quase decidimos tocar até a Argentina em Colón, mas significaria mais 240 km e já eram 18:30h. Foi acertada a decisão de ficarmos por aqui. Tacuarembó é uma cidade agradável, com 40.000 habitantes. No entardecer, aproveitando o horário de verão, adotado também aqui no Uruguai, as pessoas vão para as praças e calçadas tomar chimarão em uma cuia pequenina. É realmente interessante observar esta comunidade. Tudo muito diferente. Também chama atenção a quantidade de motos pela cidade. É muita coisa. É moto para todo o lado. Pousamos no Hotel Tacuarembó, bom e barato. Jantamos uma enorme pizza, acompanhado de uma Pilsen. Jantar muito barato também. Amanhã pretendemos seguir viagem a partir das 7:00h. Penso inclusive em avançar mais no nosso roteiro. Quem sabe chegar mais perto de Bahia Blanca. Merece meu registro a simpatia e solicitude deste povo de Tacuarembó. Agora são 22:20h e vou me recolher para recuperar as costas e me preparar para mais uns 700 / 800 km. Hoje foram 640 km, mas podíamos mais. A Adelaide está indo bem, excelente co-piloto. Não se mixou nem na queda, aliás, demostrou uma grande calma. Eu é que fiquei ansioso. Também pudera. A pior coisa para um motociclista é ver sua moto deitada = é brabo.
Até a próxima postagem, já na Argentina, nos limites da Patagônia. Abraço a todos.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
domingo, 16 de novembro de 2008
Apresentação Inicial
A partir do dia 22 de dezembro de 2008, o casal título deste blog, Álvaro (este que vos escreve) e Adelaide (Garupa) estarão dando inicio a um sonho e talvez a sua maior aventura: Viajar com uma moto até a chamada Terra do Fim do Mundo, Ushuaia, ou melhor, até o final da Ruta 03, em Lapataia, o ponto mais austral do planeta possível de ser transitado com algum veículo. Viajar, passear e curtir a vida sempre fez parte da vida deste casal, porém as limitações de ordem profissional e mesmo financeira, fez com que adiassem planos mais ousados de viagens, ou mesmo roteiros mais distantes ou exôticos. Talvez também a falta de uma pitada maior de ambição e coragem fez com estes planos se adiassem. O certo é que a maturidade faz com firmemos convicções ou com que percamos o juízo, aliás, para maioria das pessoas a nossa intenção é um completo desatino, um completo despropósito. O fato é que não estamos realizando nada de inusitado, uma vez que são muitos os motociclistas ou moto viajantes que se aventuram em busca desta terra considerada mítica pelos motociclistas. E mais, muitos casais, assim como nós, já cumpriram este objetivo. O Relato das viagens destes aventureiros, fizeram nossa idéia e nossas convicções aumentarem, cito o casal Rauen (Ricardo e Michelle), o casal Paes (Cícero e Lourdes) e o casal Catania (Marcos e Antonella). Todos com links de suas home page em nosso blog. Por que Ushuaia? Ushuaia foi escolhida como destino pelo inusitado, pelo extremo, pelo belo, pela aventura, por tudo de diferente que nós já tenhamos visto (aliás, justiça seja feita, vimos ainda muito pouco do mundo), enfim Ushuaia é a cidade mais austral do planeta e inaugurará uma fase de nossas vidas que ainda nos reservará muitas aventuras.
Por que de Moto? Ir de moto além de mais barato, confere a viagem a pitada de aventura e adversidade que qualquer outro meio de locomoção não daria (exceção feita a bicicleta, que diga-se de passagem, têm muitas vantagens, mas necessita de muito tempo), com a possibilidade de cumprirmos grandes trechos em pouco tempo, não abrindo mão dos predicados citados. É necessário dizer que aqueles que emitem a avaliação de que esta viagem é um desatino, um despropósito, têm sua opinião reforçada pelo fato de este que vos escreve ser um motociclista absolutamente pouco experiente, pois retirou sua carta de habilitação para motocicleta no início deste ano. Comprou sua Falcon NX4 que lhe foi desrecomendada (em função de seu tamanho, de sua altura e de sua potência), um pouco antes da habilitação, e diga-se de passagem, nunca havia pilotado, e tão pouco tinha qualquer noção de pilotagem de motocicleta (nem na garupa de uma Garelli tinha andado). É preciso portanto dizer, que este mundo do motociclismo passou a fazer parte da sua vida somente neste ano. Tudo, absolutamente tudo: equipamentos, experiência, informação, conhecimento é novidade para ele (realmente não podemos condenar quem conclui que a viagem é um desatino).
E a Garupa? Grande parceira. Assumiu a "loucura" como toda grande companheira assumiria, aceitando e se engajando no projeto. Importante dizer que a Adelaide é o pé no chão da aventura.
E depois? Depois programaremos outra viagem, e depois mais outra e assim por diante. Não deixaremos de conhecer a bordo de uma moto o deserto do Atacama, Machu Picchu, Titicaca, Carretera Austral, o litoral Brasileiro, a Amazônia, a Europa. Mas talvez o grande projeto será o de percorrer de moto todo continente americano, tendo por objetivo chegar ao ponto transitável mais ao norte do continente, ou seja, Prudhoe Bay, no Alasca. Mas estes são outros projetos e serão realizados nos próximos anos.
Os objetivos da viagem: O Objetivo simbólico da aventura é nos fotografarmos ao lado da placa que sinaliza o final da Ruta 03 (imagem acima), que será percorrida desde o seu início, em Buenos Aires até o seu final, na Reserva Ambiental Terra do Fogo em Lapataia (depois de Ushuaia). No caminho da Ruta 3, entraremos e percorreremos a Península Valdez e observaremos sua fauna marinha. Já retornando de Ushuaia, iremos até o Parque Nacional Torres del Paine e conheceremos suas belezas, entre elas os picos que dão nome ao parque. Dali, seguiremos a El Calafate e conheceremos a famosa geleira Perito Moreno. De El Calafate, rumaremos para o centro da Argentina na região dos lagos, não sem antes conhecermos os bosques Petrificados na província de Sta Cruz. Na Patagônia andina conheceremos as cidade de Barriloche e Villa Augustura e percorreremos os 7 lagos. Atravessaremos a fronteira rumo ao Chile e lá conheceremos os lagos e vulcões chilenos, quando então rumaremos para casa, com muitas imagens na máquina fotográfica, e acima de tudo, se Deus quiser, com a grande sensação de termos vivido uma maravilhosa aventura.
Importante dizer ainda que o relato da viagem será feito neste blog, dia a dia (na medida do possível e das condições físicas), sob o ponto de vista do piloto (meio desatinado) e da garupa (pé no chão). Ainda neste blog, abaixo, em ordem seqüencial o projeto da viagem quase que na totalidade (acho que não esquecemos nada) escrito para que você amigo e amiga que acompanha este blog, possa, em decidindo também fazer esta viagem, buscar informações, dicas e acima de tudo ânimo e incentivo para também iniciar uma grande aventura.
Logomarca da Aventura

A logomarca da aventura se transformou em adesivo. Colar adesivos nos locais por onde passamos, como aduanas, restaurantes, hotéis, postos de combustíveis e outros, além de presentear aos amigos, conhecidos, interessados e quem encontramos na viagem é uma tradição entre os motociclistas viajantes. Para nós não seria diferente. Curtimos muito esta coisa de bolar uma logo, e particularmente, entendo que ficou muito legal, e cheia de significado. Vamos no decorrer da aventura deixar a nossa marca, uma espécie de estive aqui.
Piloto
Eu sou Álvaro Link, 37 anos, formado em Direito, mas não atuando. Profissional da área financeira, concluindo o MBA em Gestão Empresarial. Trabalho no SICREDI a mais de 15 anos, empresa da qual sou imensamente grato e que me possibilitou muitas oportunidades. Motociclista recém formado, pois retirei minha carteira de habilitação, categoria A (já tinha a B) em Fevereiro de 2008. Apreender a pilotar uma moto é fruto de uma das minhas resoluções do final de 2006: apreender a pilotar, comprar uma moto e planejar grandes aventuras. Esta resolução já vem sendo alimentada a um bom tempo, pois meu espírito irrequieto sempre me fez desejar viajar e conhecer outros locais. Entendi que a moto-viajem é uma ótima opção, pois alia aventura, interação com a natureza e com o inusitado a uma certa economia, se relacionada evidentemente a outros meios, como pacotes turísticos ou mesmo viajar de automóvel. Temos outros projetos, um deles é daqui a alguns anos navegar pelo mundo a bordo de um veleiro (loucura? Louco é quem não acredita). Gosto de história, tanto que cursei história pelo menos pela metade (um dia pretendo concluir). O espírito viajante herdei principalmente de meu pai, que era caminhoneiro e viajou por este Brasil conhecendo lugares e colecionando histórias (eu tive o privilégio de acompanhá-lo em algumas viagens dormindo em cima da capa do motor do Alfa-Romeo). Minha mãe era uma grande parceira. Ambos adoravam passear e viajar. Lembro que ainda bebê (talvez 2 ou 3 anos) a família comprou a primeira barraca (Uma Santo André, enorme e pesada). O espírito da descoberta, da história, da valorização do que temos e conquistamos, herdei de minha mãe. Hoje ela nos acompanha lá do céu, orientando a nossa família em todos nossos passos = Mulher maravilhosa, forte e amada. Gosto de viajar, quero viajar, quero conhecer lugares novos, estudar sua história, fotografar suas paisagens. Mas não penso que a felicidade esteja só aí, ou de que preciso para ser feliz realizar estes sonhos. Quem acha que penso assim se engana. Para mim a felicidade está nas pequenas coisas, no chimarrão com a Adelaide nos finais de semana, na sua companhia, na caminhada, na corrida, na leitura de um bom livro acompanhado daquele delicioso tinto Cabernet Souvignon. A felicidade está em apreender, em ajudar o próximo de forma despretensiosa, em semear o bem. Em Viver.Garupa
Sou natural de Nova Petrópolis – RS, porém moro em Porto Alegre desde 2003 e gosto muito da vida na capital gaúcha. Nasci em 21/04/1972 e minha formação é de técnica em contabilidade, mas nunca exerci a profissão. Atualmente trabalho como trader no mercado de capitais. Gosto de praticar atividades que fazem bem ao corpo e a mente, dentre elas a corrida, a musculação e o alongamento, curtir um bom filme, ler um bom livro e viajar. Agora que comecei a viajar de moto (como garupa), esta está sendo a minha mais nova paixão e me traz uma sensação de liberdade e um contato com a natureza sem igual. Sempre gostei deste contato direto com a natureza, tanto que uma das maiores paixões é acampar, um prazer que conheci com meu esposo Álvaro. E como a natureza gosta de testar as pessoas ela sempre me manda uma boa chuvarada nos meus batismos, pois em toda nova atividade que me envolvo ela me testa para ver se realmente é isto que eu quero praticar. Assim foi no meu primeiro acampamento, na primeira viagem de moto, no batismo da corrida de rua. Mas com isto só me convenço que o contato com ela é algo ímpar. Sentar num belo jardim ou parque e tomar um chimarrão com o sol brilhando repõe qualquer energia. Coisas simples que curto. O Roteiro
O Roteiro poderá sofrer alterações no decorrer da viagem. Poderemos em alguns dias viajar mais ou menos do que o planejado. Deixamos um dia de reserva técnica em caso de mudança de percurso, problemas técnicos ou mecânicos. Caso não sofra alteração a viagem terá 29 dias de duração e percorreremos em torno de 13.000 km (entre percurso e passeios) e visitaremos 3 países: Uruguai, Argentina e Chile. Anotaremos a kilometragem de todos os percursos e no retorno postaremos as kilometragens, bem como as escalas efetivamente percorridas.
Uruguai
Argentina

Chile

O Roteiro, as datas e a Kilometragem percorrida:
1º dia – 22/12/08: Porto Alegre / Tacuarembó 646 km (total: 646 km)
2º dia – 23/12/08: Tacuarembó / Canuelas 569 km (total: 1215 km)
3º dia – 24/12/08: Canuelas / Bahia Blanca 607 km (total: 1822 km)
4º dia – 25/12/08: Bahia Blanca / Las Grutas 490 km (total: 2312 km)
5º dia – 26/12/08: Las Grutas / Puerto Pirâmides 290 km (total: 2602 km)
6º dia – 27/12/08: Puerto Pirâmides / Caleta Olívia 607 km (total: 3209 km)
2º dia – 23/12/08: Tacuarembó / Canuelas 569 km (total: 1215 km)
3º dia – 24/12/08: Canuelas / Bahia Blanca 607 km (total: 1822 km)
4º dia – 25/12/08: Bahia Blanca / Las Grutas 490 km (total: 2312 km)
5º dia – 26/12/08: Las Grutas / Puerto Pirâmides 290 km (total: 2602 km)
6º dia – 27/12/08: Puerto Pirâmides / Caleta Olívia 607 km (total: 3209 km)
7º dia – 28/12/08: Caleta Olívia / Rio Gallegos 700 km (total: 3909 km)
8º dia – 29/12/08: Rio Gallegos / Rio Grande 360 km (total: 4269 km)
9º dia – 30/12/08: Rio Grande / Ushuaia 222 km (total: 4491 km)
10º dia – 31/12/08: Ushuaia (total: 4491 km)
11º dia – 01/01/09: Ushuaia (total: 4491 km)
12º dia – 02/01/09: Ushuaia /Cerro Sombrero 440 km (total: 4931 km)
13º dia – 03/01/09: Cerro Sombrero / Puerto Natales 367 km (total: 5298 km)
14º dia – 04/01/09: Puerto Natales / El Calafate 380 km (total: 5678 km)
15º dia – 05/01/09: El Calafate (total: 5678 km)
16º dia – 06/01/09: El Calafate / Puerto San Julian 613 km (total 6291km)
17º dia – 07/01/09: Puerto San Julian /Comodoro Rivadávia 420 km (total 6711 km)
18º dia – 08/01/09: Comodoro Rivadavia / Esquel 587 km (total: 7298 km)
19º dia – 09/01/09: Esquel / San Carlos de Bariloche 297 km (total: 7595 km)
20º dia – 10/01/09: San Carlos de Bariloche (total: 7595 km)
21º dia – 11/01/09: San Carlos de Bariloche / Valdívia 446 km (total: 8041 km)
22º dia – 12/01/09: Valdivia (total: 8041 km)
23º dia – 13/01/09: Valdivia / Temuco 252 km (total: 8293 km)
24º dia – 14/01/09: Temuco (total: 8293 km)
25º dia – 15/01/09: Temuco / Neuquen 508 km (total: 8801km)
26º dia – 16/01/09: Neuquen / Bahia Blanca 498 km (total: 9299 km)
27º dia – 17/01/08: Bahia Blanca / Canuelas 573 km (total: 9872 km)
28º dia – 18/01/09: Canuelas / Tacuarembó 569 km (total: 10441 km)
29º dia – 19/01/09: Tacuarembó / Porto Alegre 646 km (total: 11087 km)
8º dia – 29/12/08: Rio Gallegos / Rio Grande 360 km (total: 4269 km)
9º dia – 30/12/08: Rio Grande / Ushuaia 222 km (total: 4491 km)
10º dia – 31/12/08: Ushuaia (total: 4491 km)
11º dia – 01/01/09: Ushuaia (total: 4491 km)
12º dia – 02/01/09: Ushuaia /Cerro Sombrero 440 km (total: 4931 km)
13º dia – 03/01/09: Cerro Sombrero / Puerto Natales 367 km (total: 5298 km)
14º dia – 04/01/09: Puerto Natales / El Calafate 380 km (total: 5678 km)
15º dia – 05/01/09: El Calafate (total: 5678 km)
16º dia – 06/01/09: El Calafate / Puerto San Julian 613 km (total 6291km)
17º dia – 07/01/09: Puerto San Julian /Comodoro Rivadávia 420 km (total 6711 km)
18º dia – 08/01/09: Comodoro Rivadavia / Esquel 587 km (total: 7298 km)
19º dia – 09/01/09: Esquel / San Carlos de Bariloche 297 km (total: 7595 km)
20º dia – 10/01/09: San Carlos de Bariloche (total: 7595 km)
21º dia – 11/01/09: San Carlos de Bariloche / Valdívia 446 km (total: 8041 km)
22º dia – 12/01/09: Valdivia (total: 8041 km)
23º dia – 13/01/09: Valdivia / Temuco 252 km (total: 8293 km)
24º dia – 14/01/09: Temuco (total: 8293 km)
25º dia – 15/01/09: Temuco / Neuquen 508 km (total: 8801km)
26º dia – 16/01/09: Neuquen / Bahia Blanca 498 km (total: 9299 km)
27º dia – 17/01/08: Bahia Blanca / Canuelas 573 km (total: 9872 km)
28º dia – 18/01/09: Canuelas / Tacuarembó 569 km (total: 10441 km)
29º dia – 19/01/09: Tacuarembó / Porto Alegre 646 km (total: 11087 km)
Locais a serem visitados
Esta é a relação dos principais locais que iremos visitar durante a viagem.
VIEDMA - Argentina
Estação científica Punta Bermeja – colônia de lobos marinhos. É um refúgio de fauna a 60 km de Viedma. Desde as passarelas instaladas nos alcantilados se pode apreciar os lobos marinhos de um pêlo.
PENÍNSULA VALDÉS - Argentina
A península penetra no mar formando dois golfos de abrigadas águas lugar de encontro das baleias francas austrais aonde chegam para se reproduzirem entre junho e dezembro. Também existem colônias de lobos marinhos e milhares de aves marinhas. Na ponta norte está situada a maior paragem continental do mundo de elefantes marinhos do sul. O nome provém de sua característica trompa que dilatam os narizes em especial quando se enfurecem ou em épocas de zelo.
USHUAIA - Argentina
- Canal del beagle - o seu nome, Beagle, vem do barco no qual o pesquisador inglês Charles Darwin visitou a região em 1832. Passeio a Isla de los lobos e Isla de los pajaros. Aves de diferentes espécies e colônias de leões-marinhos em seu habitat natural.
- Lago Escondido e Lago Fagnano – o Escondido faz jus ao nome, aconchegando-se entre as montanhas da cordilheira foguina. O Fagnano é o segundo maior lago da Argentina.
- Parque Nacional Tierra del Fuego – são 63 mil hectares de uma paisagem exuberante, entre montanhas, bosques, picos nevados, lagos, rios e ilhas. E a famosa placa do final da ruta 3.
- Museu Penitenciário – prédio onde funcionou o presídio. As instalações são originais e um dos pavilhões está como a décadas atrás, deixando transparecer o inferno que deveria ser aquele lugar.
TORRES DEL PAINE - Chile
Parque com 242 mil hectares, criado em 1959 e declarado Reserva Mundial de Biosfera pela Unesco em 1978. Suas paisagens mudam conforme a altitude que vai de 50m a 3050m acima do nível do mar. O parque é composto por oito diferentes áreas e cada uma possui um micro clima particular, que depende da sua localização, altitude, presença, ou não, de glaciares e montanhas. No verão a temperatura varia de 1 a 23 graus.
EL CALAFATE - Argentina
Glaciar Perito Moreno geleira que se estende por uma superfície de 250km quadrados, desde sua zona de formação no Campo de Hielo Sur, a terceira maior área de gelo do planeta (depois da Antártica e do Pólo Norte) até o Lago Argentino. O Glaciar foi incluído pela Unesco na lista dos patrimônios mundiais da humanidade. Além de sua imponência, é um espetáculo ver os paredões de gelo se desprender e cair nas águas do canal dos icebergs.
PUERTO SAN JULIAN - Argentina
Isla Cormorán, ilha habitada por pingüins e gaivotas patagônicas. Nas águas da bahia um espetáculo a parte dos golfinhos tonina overa, sua coloração preto e branca lembra a baleia orca.
JARAMILLO - Argentina
Monumento Natural Bosques Petrificados – são impressionantes 15000 hectares de uma estepe desértica onde repousam troncos de 150 milhões de anos que foram petrificados pelas cinzas de vulcões durante o período jurássico. O parque funciona das 8:00h às 20:00h e a entrada é gratuita. Porém não há infra-estrutura no local sendo necessário levar água e o que for consumir.
SAN CARLOS DE BARILOCHE - Argentina
O parque Nahuel Huapi engloba uma área de 713 mil hectares onde um impressionante conjunto de montanhas, lagos e rios formam uma das mais exuberantes paisagens da patagônia. A região dos 7 lagos que inicia em Villa la Angustura e se estende até San Martín de Los Andes com seus lagos entre bosques e montanhas nevadas ao fundo.
PUERTO VARAS – Chile
Vulcão Osorno com 2661m de altura é classificado como um vulcão adormecido – sua última erupção ocorreu em 1835. De aparência grandiosa e contornos perfeitos, ganha ainda mais destaque graças à neve eterna que repousa em seu topo.
VALDIVIA – Chile
Conhecida como a cidade dos rios, foi fundada em 1552, sobre uma aldeia mapuche. A cidade já foi destruída duas vezes: a primeira ocorreu com a revolta mapuche contra o domínio espanhol, em 1959, terminando com a vitória destes últimos. Muitos anos depois, em 1960, foi a vez de um grande terremoto ocasionar o alagamento e o desmoronamento de antigas construções em estilo europeu.
PUCÓN – Chile
Vulcão Villarrica com 2847m de altura e com o pico coberto de neve, ainda está em atividade. Quanto ao fato de não estar extinto, não há o que temer: as erupções costumam ser previstas com antecedência.
TEMUCO - Chile
Capital da Araucanía, famosa por ser o centro de “resistência” da cultura mapuche – ou seja, é uma das regiões em que as tradições desse povo estão um pouco mais preservadas. Museo Regional de La Araucanía funciona numa casa da década de 20 e conta a história da região.
Roupas
A relação de vestuário abaixo relacionadas referem-se a um indivíduo da equipe, portanto todos os itens devem ter sua quantidade multiplicada por dois.
1 Jaqueta cordura (impermeável)
1 Calça cordura (impermável)
1 par de Luvas impermeáveis
1 par de Bota impermeáveis
1 Capacete escamoteável
1 Balaclava (Segunda pele)
1 calça (Segunda pele)
1 camiseta (Segunda pele)
1 par de luvas (Segunda pele)
1 calça jeans
1 calça (vira bermuda)
2 camisetas mangas curtas
2 camisetas mangas longas
1 blusa de lã
1 pijama
7 roupas íntimas
3 pares de meia
1 boné
1 par de tênis
1 par de chinelos
1 Jaqueta cordura (impermeável)
1 Calça cordura (impermável)
1 par de Luvas impermeáveis
1 par de Bota impermeáveis
1 Capacete escamoteável
1 Balaclava (Segunda pele)
1 calça (Segunda pele)
1 camiseta (Segunda pele)
1 par de luvas (Segunda pele)
1 calça jeans
1 calça (vira bermuda)
2 camisetas mangas curtas
2 camisetas mangas longas
1 blusa de lã
1 pijama
7 roupas íntimas
3 pares de meia
1 boné
1 par de tênis
1 par de chinelos
Documentos Necessários
A documentação necessária para a viagem:
- Documento da moto;
- CNH (carteira internacional de habilitação somente é exigida fora dos países do Mercosul);
- Seguro carta verde;
- RG (expedida a menos de 10 anos);
- Passaporte;
- Código de trânsito argentino (para nos prevenirmos em relação a corrupta polícia caminera);
- Mapas
- CNH (carteira internacional de habilitação somente é exigida fora dos países do Mercosul);
- Seguro carta verde;
- RG (expedida a menos de 10 anos);
- Passaporte;
- Código de trânsito argentino (para nos prevenirmos em relação a corrupta polícia caminera);
- Mapas
- Guia Argentino e Chileno
Dicas:
Dicas:
Levaremos cópias autenticadas de todos os documentos – entre eles, o número do cartão de crédito e débito, telefones de contato para o caso de emergências - guardaremos em locais diferentes dos originais.
Escanear estes documentos e arquivar em seu e-mail também é uma alternativa, pois em caso de emergência basta ir a uma lan house e imprimir a documentação ou armazenar os dados em um pen drive.
Equipamentos e Acessórios
Relação dos equipamentos necessários para pequenos reparos:
Fita silver
Kit reparo pneu
Lubrificante para corrente
Lanterna
Canivete suíço
Filme plástico para cobrir carenagem
Ferramentas do kit da Falcon
- chave de boca 10 x 12 mm
- chave de boca 14 x 17 mm
- chave allen 5 mm
- alicate
- chave phillips
- chave de fenda
- chave soquete sextavada 8 mm
- chave sextavada 24 mm
- cabo da chave de velas
- chave de vela
- cabo da chave sextavada 120 mm
Relação de acessórios para um passeio tranqüilo:
Óculos de sol
Câmera digital
Carregador da bateria da câmera
Bateria extra
Cartão memória extra
Cabo USB para baixar as fotos
Pen drive
Celular (ativar roaming internacional)
Carregador celular
Adaptador tomada
Caneta/lápis
2 cadernos para diário de bordo (piloto e garupa)
Livro
MP3
Chimarrão:
- cuia
- bomba
- erva
- garrafa térmica
Fita silver
Kit reparo pneu
Lubrificante para corrente
Lanterna
Canivete suíço
Filme plástico para cobrir carenagem
Ferramentas do kit da Falcon
- chave de boca 10 x 12 mm
- chave de boca 14 x 17 mm
- chave allen 5 mm
- alicate
- chave phillips
- chave de fenda
- chave soquete sextavada 8 mm
- chave sextavada 24 mm
- cabo da chave de velas
- chave de vela
- cabo da chave sextavada 120 mm
Relação de acessórios para um passeio tranqüilo:
Óculos de sol
Câmera digital
Carregador da bateria da câmera
Bateria extra
Cartão memória extra
Cabo USB para baixar as fotos
Pen drive
Celular (ativar roaming internacional)
Carregador celular
Adaptador tomada
Caneta/lápis
2 cadernos para diário de bordo (piloto e garupa)
Livro
MP3
Chimarrão:
- cuia
- bomba
- erva
- garrafa térmica
Higiene pessoal e Primeiros socorros
Itens básicos para higiene pessoal:
Xampu
Condicionador
Sabonete
Creme desodorante
Creme dental
Escova dental
Fio dental
Barbeador
Pincel
Escova cabelo
Protetor solar
Papel higiênico
Itens básicos para primeiros socorros:
Anti-séptico
Band-aid
Gaze
Esparadrapo
Termômetro
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